Sebastian Scheiner/AP
Sebastian Scheiner/AP

Netanyahu vence eleição israelense

Atual primeiro-ministro deve obter 30 cadeiras no Parlamento, 6 a mais do que a União Sionista, de Isaac Herzog, abrindo caminho para mais um mandato do atual primeiro-ministro

O Estado de S. Paulo

17 Março 2015 | 17h09

Atualizado à 8h25 de 18/03 

O partido Likud, do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, conquistou 30 cadeiras, 6 a mais que a União Sionista (24), indicaram resultados com base em 99,5% dos votos apurados. Como nenhum dos partidos deve obter a maioria de 61 assentos dos 120 da Knesset – o Parlamento israelense –, o presidente Reuven Rivlin indicará quem formará o gabinete. O Likud diz estar próximo de obter uma coalizão.

A grande surpresa da eleição foi a Lista Árabe, que, assim como o partido Yesh Atid, do ex-ministro das Finanças Yair Lapid, conquistou 14 cadeiras. 

Pesquisas de boca de urna haviam indicado que tanto a União Sionista, de Isaac Herzog, quanto o Likud, ficariam empatados com 27 cadeiras, segundo o Canal 10 e o Canal 1 de Israel. A boca de urna do Canal 2 tinha dado ao Likud uma cadeira de vantagem – 28 a 27.

O Kulanu, partido do dissidente do Likud Moshe Kahlon, elegeu 10 deputados e a Casa Judaica, 8. O fiel da balança deve ser Kahlon, ex-ministro de Netanyahu, que fez uma campanha com temas próximos às posições de Herzog. Ele ainda não indicou quem apoiará. 

Minutos depois da votação, Netanyahu declarou vitória na eleição. “Contra todos os prognósticos, uma grande vitória para o Likud”. No início da madrugada (horário local), em discurso a militantes na sede do partido, o premiê agradeceu pela votação e disse estar “orgulhoso pela escolha certa” dos eleitores.

Dirigentes do Likud acreditam que o premiê tenha maior chance de formar a coalizão que Herzog. Para o ex-chanceler Shilvam Shalom, candidato a deputado na lista do Likud, Netanyahu deve ter o apoio de 63 ou 64 deputados. Formariam a coalizão com o Likud os religiosos do Shas e do Judaísmo Unido da Torá, além dos nacionalistas da ultradireita Casa Judaica e Israel Beiteinu. Mas o apoio crucial de Kahlon a Netanyahu ainda não está garantido. 

Herzog, por sua vez, declarou que fará “todo o esforço ao alcance” para conseguir formar uma coalizão de governo que tire o Likud do poder. “Tudo está em aberto ainda”, disse o líder trabalhista. “Os resultados permitem que eu seja premiê.”

Críticas. Durante a votação, Netanyahu pediu a eleitores nacionalistas e conservadores que fossem às urnas para impedir a coalizão de partidos árabes de destruir o governo do Likud. O primeiro-ministro ainda “denunciou” um suposto apoio externo aos trabalhistas com o objetivo de tirar o Likud do poder e rejeitou um governo de coalizão com Herzog. 

“O governo da esquerda será refém das exigências da Lista Árabe Unida. É esse mesmo partido que diz que o Hamas não é um grupo terrorista. É por isso que as ONGs de esquerda estão levando a minoria árabe às urnas”, disse Netanyahu em uma entrevista transmitida por seu perfil no Facebook. “A principal diferença entre o trabalhismo e o Likud é que nós não recebemos dinheiro das organizações de esquerda mundiais.”

Em resposta às declarações de Netanyahu, Herzog disse estar “com vergonha” do medo que o premiê teria da derrota. “Essa é uma batalha crucial pelo futuro do país. O medo de Netanyahu é vergonhoso”, afirmou o candidato trabalhista.

Ascensão. A população árabe de Israel corresponde a 20% do total e há muito tempo afirma sofrer discriminação. Pela primeira vez, os pequenos partidos que representam esses eleitores se unificaram, o que levou a um aumento da participação dessa faixa do eleitorado. 

Políticos árabes acusaram Netanyahu de racismo. “Geralmente, um premiê de um país encoraja as pessoas a votar. Por que ele tem medo das pessoas votando?”, disse o líder da Lista Árabe, Ayman Odeh. / AP, AFP e EFE

Mais conteúdo sobre:
Eleições em Israel Israel

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.