Family of Charlie Gard via AP
Family of Charlie Gard via AP

Neurologista americano visitará bebê britânico com doença terminal 

Médico do Centro Médico da Universidade Columbia, em Nova York, se reunirá com a equipe que trata o bebê em Londres, que defende o desligamento dos aparelhos que mantêm a criança viva

O Estado de S.Paulo

14 Julho 2017 | 16h19

LONDRES - O neurologista americano Michio Hirano visitará na segunda-feira, 17, em Londres, o bebê britânico Charlie Gard, bebê de 11 meses que sofre de uma doença terminal. Os pais da criança travam uma batalha judicial para mantê-la viva artificialmente, contra a opinião médica britânica. A esperança deles é conseguir autorização da Justiça para submeter Charlie ao tratamento experimental conduzido por esse médico americano. 

Hirano é especialista em miopatias e doenças mitocondriais. Ele se ofereceu para administrar um tratameno experimental no bebê de 11 meses. Ele assegura ter observado uma probabilidade de "10% de fortalecimento dos músculos" e de uma "pequena, mas significativa" melhora na função cerebral. 

O neurologista do Centro Médico da Universidade Columbia, em Nova York, se reunirá com a equipe que trata o bebê no hospital londrino Great Ormond Street, que por sua parte defende o desligamento dos aparelhos que mantêm a criança com vida para que ela possa morrer com dignidade. 

Charlie sofre de uma síndrome de miopatia mitocondrial, uma doença genética raríssima que inabilita a capacidade do corpo de fornecer energia aos músculos e faz sua vítima sofrer até que ela tenha uma parada respiratória total. O menino não tem, atualmente, nenhuma função ativa, mas seus pais asseguram que ele "não está sofrendo". 

 

O juiz Nicholas Francis, da Divisão de Família do Tribunal Superior de Londres, que anteriormente já se posicionou em favor do hospital londrino (assim como também o Supremo e a Corte Europeia de Direitos Humanos) revisará na semana que vem os argumentos do médico Hirano, quem afirma desde abril que surgiram novas evidências sobre a potencial eficácia do tratamento experimental. 

No primeiro julgamento, o juiz concluiu, em 11 de abril, que esse tratamento causaria dor e não melhora da situação do menino. 

Após apelos internacionais do papa Francisco e do presidente dos EUA, Donald Trump, o Great Ormond Street Hospital entrou com um recurso na Justiça no dia 10 tendo como base os argumentos dos pais de Charlie, Chris Gard e Connie Yates, que reuniram opiniões médicas, incluindo a de Hirano, favoráveis a submeter o bebê a essa nova terapia de nucleosídos, que não foi sequer testada em ratos de laboratório. 

Relembre: Em vídeo emocionado, pais falam de decisão de desligar aparelhos

O juiz Francis deve se pronunciar dentro de alguns dias sobre as novas evidências apresentadas, segundo as quais Hirano justifica que o bebê seja mantido com vida e transferido a outro país para receber esse tratamento. 

Yates e Gard, residentes em Londres, têm protagonizado uma intensa campanha internacional para conseguir apoio para que o filho seja tratado. Trump e o papa também saíram em sua defesa. 

Os representantes legais do casal pediram hoje calma a seus numerosos seguidores, entre eles, vários grupos religiosos americanos, depois que proliferaram inúmeras ameaças na internet contra os juízes e os advogados do hospital. 

O casal recolheu meio milhão de assinaturas em apoio à sua causa e mais de 1,3 milhão de libras para financiar o tratamento do menino em um hospital americano ou de outro país. / EFE  

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