Neutralidade dá a sultanato status regional de mediador

Egito, Jordânia, Kuwait e Arábia Saudita são aliados dos EUA no Oriente Médio. Os dois primeiros mantêm relações com Israel. Do outro lado, a aliança comandada pelo Irã envolve a Síria e grupos insurgentes, como o Hezbollah e o Hamas. Omã não se posiciona em nenhum dos dois lados. Prefere adotar uma posição de neutralidade explícita, mas engajada em alcançar a paz na turbulenta região.Diferentemente do Catar, que consegue entrar em choque com todos os lados - especialmente pelos ataques da rede de TV Al-Jazira a outros países árabes e pela tentativa de se mostrar um protagonista internacional -, Omã opta pela discrição. Muitas vezes, porém, sua importância supera o repetitivo noticiário internacional, no qual o país raramente aparece.Diplomatas ocidentais que vivem em Muscat lembram que Omã, nos últimos anos, serviu como canal secreto de diálogo entre os EUA e o Irã. Durante a Guerra Fria, o país integrava o bloco ocidental, mas nunca teve relações estremecidas com a União Soviética. ADMIRAÇÃOO sultão Qaboos bin Said também teve importância na negociação para o fim da guerra entre o Irã dos aiatolás e o Iraque de Saddam Hussein, que durou de 1980 a 1988. Internamente, os omanis gostam de dizer que Omã representa para as relações internacionais no Oriente Médio o que a Suíça significa para o jogo diplomático mundial.A neutralidade do sultão Qaboos é tão radical que ele é um dos poucos governantes do Golfo Pérsico - e do mundo - que conta com a admiração simultânea da organização terrorista Al-Qaeda, do Irã, de Israel e dos EUA.

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