Nevascas expõem limitações do sistema ferroviário chinês

Em franco crescimento, país sofre com limitações no fornecimento de carvão para produção de energia

David Lague, do New York Times,

31 de janeiro de 2008 | 19h10

Breves mas severos cortes de energia no centro e sul da China expôs nos últimos dias a fragilidade das redes de transportes da economia que mais cresce no planeta. Em grande parte, o problema é resultado das fortes nevascas que atingem o país, o que tem gerado dificuldades em se entregar carvão para as termoelétricas.  Neve atrapalha milhões de chineses Além de levar o caos para mais de 200 milhões de trabalhadores que precisam usar as ferrovias para retornar para suas cidades natais antes do feriado do Ano Novo Lunar, na semana que vêm, a neve e o gelo restringiu o fornecimento de carvão para importantes usinas no sudoeste, região densamente povoada e pólo industrial do país.  O pior inverno de que se tem registro na China também tem provocado altas nos preços dos alimentos nas principais cidades do país, incluindo Pequim, que sofrem com gargalos nas redes de entrega de vegetais e carne, informou a agência estatal Nova China nesta quinta-feira, 31.  Os problemas dos últimos dias servem para lembrar que a grande e interconectada economia chinesa e seus 1,3 bilhão de dependentes estão cada vez mais vulneráveis a até mesmo pequenas interrupções no fluxo de bens e serviços. Em um sinal do nervosismo do Partido Comunista Chinês diante do crescente ressentimento da população, importantes líderes como o primeiro-ministro Wen Jiabao têm visitado pessoalmente estações de trem para garantir aos viajantes que as autoridades estão trabalhando para resolver os atrasos.  De acordo com a mídia estatal, as multidões que se formavam nas estações de trem do sul do país começaram a diminuir nesta quinta-feira, com restabelecimento dos transportes em algumas províncias do interior.  Mas os cortes no fornecimento de energia de devem continuar depois que o fornecimento de carvão foi interrompido para 17 províncias - o que corresponde à metade do país - nas últimas semanas.  As províncias que mais sofreram com as interrupções foram as de Guangdong, Guangxi, Guizhou, Hunan, Anhui e Jiangsu, onde mais de 30 milhões de pessoas foram afetadas por blackouts ou quedas de energia.  A produção de alumínio e aço também deve sofrer com os cortes de energia, dizem analistas.  "Eu acho que os recentes problemas relacionados ao clima terão grandes ramificações para o setor manufatureiro, e por conseqüência para a economia, sem contar o fato de muitas pessoas estarem insatisfeitas", disse Victor Shum, um analista que atua em Cingapura. "A questão do transporte e da distribuição de energia na China é muito séria."  País movido a carvão A China produziu cerca de 2,3 bilhões de metros cúbicos de carvão no ano passado, segundo estatísticas do governo, e a queima desse combustível garantiu mais de 80% da eletricidade do país. Apesar dos riscos para a saúde impostos pela poluição do ar e das pressões internacionais para que o governo chinês diminua a emissão de gás carbônico, a maioria dos analistas prevê um crescimento no consumo de carvão na China para as próximas décadas.  As minas de carvão da China estão localizadas nas províncias ocidentais de Shaanxi e Shanxi, na região norte do país. Mas a maior parte do consumo dessa matéria prima está nas regiões industrializadas do sudeste, leste e centro do país, de forma que a produção deve ser escoada por longas distâncias através da vasta rede ferrovias do país.  Assim, mais de 40% da capacidade ferroviária da China é utilizada para o transporte de carvão, e as autoridades têm investido pesadamente em novas linhas e instalações de carga, numa tentativa de atender a demanda.  Apesar desses esforços, a China sofre há mais de cinco com persistentes cortes de energia em seus centros industriais, uma vez que a produção de energia não é suficiente para atender a demanda de uma economia em franco crescimento. Só no ano passado, a demanda por eletricidade cresceu 14%, segundo estimativas oficiais.

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