Nevascas voltam a parar aeroportos e vias terrestres em países europeus

Milhares de europeus foram obrigados a trocar a ceia de Natal com família por balcões e poltronas incômodas em aeroportos centrais do continente. Aqueles que haviam optado por viajar por terra, tiveram de enfrentar as baixas temperaturas, gelo e neve em estradas e ferrovias.

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

25 de dezembro de 2010 | 00h00

Em meio à crise, políticos e autoridades do setor passaram a trocar acusações sobre quem seriam os responsáveis pela situação. Para os próximos dias, serviços de meteorologia alertam para a possibilidade de novas tempestades de neve. Pior: a instabilidade deverá se estender até o ano novo. Pelos cálculos da UE, as sucessivas tempestades de neve nos últimos dias e o caos já comprometem o crescimento do PIB da região em dezembro.

Ontem, o epicentro do problema foi o aeroporto de Paris que, atingido pela neve, teve seus voos reduzidos pela metade durante grande parte do dia. Pelo menos 670 voos da capital francesa foram cancelados por falta da substância usada pelas companhias para descongelar as asas dos aviões e as pistas de pouso. A fábrica do produto havia entrado em greve. Enquanto isso, mais de 2 mil pessoas tiveram de ser retiradas de um dos terminais do aeroporto Charles de Gaulle diante do temor de que o teto desabasse com o acumulo da neve. Em 2004, parte de uma estrutura do mesmo aeroporto não aguentou e caiu, matando seis pessoas.

A neve já havia paralisado a Europa no início da semana. Mas, ontem, acabou afetando os planos de Natal de muitas famílias. Em Bruxelas, a assessoria do aeroporto anunciou de antemão que os passageiros teriam de se preparar para passar a noite do dia 24 no saguão.

Cerca de 2.000 pessoas passaram a noite de quinta para sexta-feira no aeroporto de Paris, em barracas e camas montadas pelo Exército. Ontem, a ceia de Natal para muitos também foi no aeroporto francês. "Infelizmente, parece que alguns terão de passar a noite no aeroporto", afirmou o ministro de Transportes da França, Thierry Mariani.

Até na Suécia, acostumada com o frio, a neve provocou caos, com estradas fechadas e trens cancelados pelo segundo dia consecutivo. Em Dublin, o governo montou uma operação especial para retirar 120 mil toneladas de neve do aeroporto e permitir que os voos no dia 24 fossem realizados. Diante da crise que afetou mais de um milhão de europeus nesta semana, o administrador do aeroporto de Heathrow, de Londres, anunciou que estava abrindo mão de seu bônus de fim de ano. Uma investigação ainda foi aberta pelo governo para determinar de quem foi a responsabilidade pelo caos.

A UE havia acusado os aeroportos de não estarem preparados e ameaçou com novas leis. Em um comunicado, os serviços aeroportuários da Alemanha rebateram a acusação e culparam pelos transtorno a intensidade extraordinária da nevasca.

Em Dusseldorf, 65 voos foram cancelados ontem, enquanto cinco trens que fazem a ligação entre Berlim e Hannover ficaram presos. O gelo havia cortado a transmissão de energia.

Na França, passageiros de um trem também ficaram bloqueados pelo corte de energia e passaram a noite nos vagões. Para aguentar o frio, os passageiros receberam de presente cobertores e chá quente - enviados não por Papai Noel, mas pela Cruz Vermelha.

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