New York Times acusa China de hackear máquinas do jornal

Pequim nega as 'acusações infundadas' e considera conclusão do jornal 'irresponsável'

Cláudia Trevisan, correspondente em Pequim,

31 de janeiro de 2013 | 11h50

O jornal The New York Times disse ter sido vítima de "persistentes ataques" de hackers chineses desde pelo menos 24 de outubro, véspera da publicação de reportagem segundo a qual a família do primeiro-ministro Wen Jiabao controla uma fortuna de US$ 2,7 bilhões, que se expandiu à medida que ele ascendeu na hierarquia de poder da segunda maior economia do mundo.

Investigação realizada por empresa de segurança contratada pelo jornal conclui que os invasores acessaram os computadores de 53 funcionários, entre os quais o de David Barboza, chefe do escritório em Shanghai que escreveu a reportagem sobre a família de Wen. Segundo a editora-executiva do NYT, Jill Abramson, não foram encontradas evidências de que e-mails ou documentos "sensíveis" relacionados à investigação tenham sido roubados pelos hackers.

Os métodos usados pelos invasores são "consistentes" com os utilizados por militares chineses "no passado", sustentou o jornal, citando especialistas em segurança cibernética.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hong Lei, refutou a acusação de que os ataques foram coordenados a partir do país. "Chegar a conclusões sem nenhuma razão, com evidências incertas e nenhuma prova e dizer que a China participa e ataques online é totalmente irresponsável", afirmou.

A direção do NYT pediu à empresa de telefonia AT&T que monitorasse os acessos à sua rede de computadores no dia 24 de outubro, depois de representantes do governo chinês terem alertado o jornal de que a eventual publicação da investigação sobre a família de Wen Jiabao teria "consequências".

No dia seguinte, data de publicação da reportagem, a AT&T notificou o Times de que havia detectado "comportamentos" na rede "consistentes" com outros ataques atribuídos a militares chineses.

O presidente do Clube de Correspondentes da China, Peter Ford, observou que o ataque ao NYT é o mais recente de uma sucessão de casos semelhantes.

 
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