''New York Times'' perde contato com 4 jornalistas na Líbia

Jornal americano diz ter informações de que eles teriam sido presos pelas forças de Kadafi; governo líbio promete ajudar

, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2011 | 00h00

NOVA YORK

O jornal americano The New York Times anunciou ontem o desaparecimento de quatro de seus jornalistas que cobriam o conflito na Líbia. Fazem parte do grupo o repórter Anthony Shadid, duas vezes vencedor do Pulitzer, o cinegrafista Stephen Farrel - que foi capturado pelos membros do Taleban em 2009 e resgatado por comandos britânicos - e os fotógrafos Tyler Hicks e Linsey Addario, ambos com ampla experiência em Oriente Médio e África.

"Conversamos com representantes do governo líbio e eles nos disseram que estão tentando localizá-los", disse Bill Keller, editor executivo do New York Times. Segundo o jornal, há informações de que os quatro teriam sido presos pelas forças de segurança líbia. Keller afirmou ainda que o governo de Trípoli deu garantias de que, caso estejam presos, os quatro serão libertados sãos e salvos.

Os editores do diário tiveram o último contato com os jornalistas na terça-feira de manhã (em Nova York), quando eles cobriam a retirada dos rebeldes da cidade de Ajdabiya. As forças do líder líbio, Muamar Kadafi, recuperaram quase todo o controle de Ajdabiya depois de dois dias de incessantes bombardeios, mas ainda enfrentam bolsões de resistência na cidade de 140 mil habitantes.

"Seus parentes e colegas no Times esperam ansiosamente uma informação sobre a situação deles e rezam para que estejam a salvo", disse Keller.

A Casa Branca pediu ontem ao governo líbio que deixe de prender ou usar a violência contra os jornalistas. O porta-voz do presidente americano, Barack Obama, Jay Carney, disse que os EUA mantêm a firme convicção de que os jornalistas devem ser protegidos e fazer seu trabalho sem obstáculos.

Outro caso. Uma equipe de reportagem da rede de TV britânica BBC também chegou a ser presa na Líbia na semana passada em um posto de controle perto da cidade de Zawiya. Um repórter, um cinegrafista e um produtor chegaram a ser agredidos por soldados líbios e submetidos a ameaças de execução pelas forças de Kadafi. / REUTERS e AFP

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