Nicarágua conta 130 mortos pelo Félix

Defesa Civil teme aumento do número de vítimas nas comunidades litorâneas, as mais atingidas pelo furacão

Ap, Efe e Reuters, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2008 | 00h00

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, visitou ontem a região afetada pelo furacão Félix, mas evitou estimar o número de mortos e feridos pela tormenta. "É melhor não dar números que não foram confirmados ainda", afirmou Ortega. No entanto, de acordo com a equipe da Defesa Civil trabalhando na região litorânea próxima à fronteira da Nicarágua com Honduras, o número de mortos chegava a, pelo menos, 130 - a maioria de comunidades indígenas e de pescadores. Já o jornal nicaragüense La Prensa, colocava o número de cadáveres em mais de 160.A Defesa Civil afirmou que o número de vítimas ainda pode aumentar e que alguns dos corpos foram encontrados na costa de Honduras, arrastados pela corrente marítima.O Félix atingiu o nordeste da Nicarágua na terça-feira com ventos de 260 quilômetros por hora e categoria 5 - a máxima na escala Saffir-Simpson. Ele foi o segundo furacão a chegar ao continente com a força máxima numa mesma temporada - um fato inédito desde que essas tormentas começaram a ser registradas, em 1928. Ortega viajou à região acompanhado de seu gabinete e de um grupo de venezuelanos enviado pelo governo do presidente Hugo Chávez, para auxiliar na ajuda humanitária. O presidente nicaragüense agradeceu à ajuda da comunidade internacional que, segundo ele, foi "imediata". Ele afirmou que, até o momento, o país recebeu US$ 500 mil em auxílio. Entre os países que enviaram ajuda estão Estados Unidos, Venezuela e Cuba.Na quinta-feira, Ortega apresentou um primeiro relatório sobre os trabalhos de avaliação da catástrofe, mas adiantou que ainda não é possível avaliar a dimensão dos danos materiais e humanos causados pelo furacão. Segundo ele, as equipes de resgate ainda não conseguiram ter acesso a algumas comunidades atingidas. Alguns dos sobreviventes do furacão ainda estão isolados em áreas acessíveis somente por helicópteros e sofrem com a escassez de comida, água potável, combustível e eletricidade.Dois helicópteros enviados pelo governo americano sobrevoaram ontem a Região Autônoma do Atlântico Norte na Nicarágua para tentar constatar o tamanho do estrago. "Vimos muitos cadáveres boiando na água", afirmou o delegado militar dos EUA em Manágua, tenente-coronel Robert Gaddif.Ontem, moradores das comunidades pesqueiras próximas à cidade de Puerto Cabezas - que teve 90% de sua infra-estrutura destruída - reclamaram que não foram alertados pelo governo da Nicarágua a tempo de procurar refúgio do furacão. De acordo com sobreviventes, autoridades do governo enviaram avisos de perigo pouco antes de a tormenta atingir a região. O furacão se dissipou depois de passar pela Nicarágua e por Honduras.

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