EFE/Jorge Torres
EFE/Jorge Torres

Nicarágua estuda diálogo nacional para encerrar crise

Estudantes marcharam com velas acesas em Manágua para lembrar os 34 mortos na onda de protestos

O Estado de S.Paulo

25 Abril 2018 | 20h22

MANÁGUA - Centenas de nicaraguenses marcharam nesta quarta-feira com velas acesas pelas ruas de Manágua para pedir justiça pelas 34 mortes nos recentes protestos pela saída do presidente Daniel Ortega do poder, enquanto o governo estuda convocar um diálogo nacional para encerrar a crise.

Os manifestantes, em sua maioria estudantes, saíram da Universidade Centro-americana (UCA), local onde os primeiros confrontos começaram, para a Rotunda Cristo Rei, chamada assim por ter uma imagem de Jesus de braços abertos, semelhante ao Cristo Redentor.

No caminho, a romaria podia ser distinguida à distância pelas velas acesas, as bandeiras da Nicarágua sendo agitadas e motoristas que soavam incessantemente as buzinas de suas motos e carros. No final do trajeto, as fotos dos mortos nos confrontos foram colocadas aos pés da imagem do Cristo.

O governo da Nicarágua avaliava nesta quarta-feira a realização de um diálogo nacional para buscar saídas para a turbulência desatada pelos confrontos e para a onda de protestos contra uma reforma da previdência promovida pelo governo – que acabou revogando a medida –, mas nenhuma data foi fixada.

A proposta de diálogo nacional para superar a crise parece avançar com a decisão dos bispos católicos de mediar o processo, o que foi saudado pelo presidente Ortega e pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro.

O Centro Nicaraguenses de Direitos Humanos atualizou nesta quarta-feira para 34 o número de mortos, a maioria em Manágua, alertando que ele poderia aumentar. O organismo fez o balanço acrescentando alguns desaparecidos que foram encontrados por parentes no necrotério do Instituto Médico Legal e pessoas que morreram no hospital em razão dos ferimentos sofridos durante as manifestações. O Alto-Comissariado da ONU para os Direitos Humanos pediu à Nicarágua que investigue as mortes.

Entre os mortos estão dois policiais e um jornalista da cidade de Bluefields. Jovens estudantes universitários são a grande maioria das vítimas. Há 66 feridos internados, sendo que 12 em estado muito grave. A maioria dos mortos foi baleada na cabeça, pescoço ou tórax.

O governo anunciou nesta quarta-feira a reabertura das escolas, fechadas desde a quinta-feira passada em razão dos bloqueios nas ruas e dos confrontos. No entanto, alguns nicaraguenses ainda temem a retomada da tensão. “Vamos ver quanto tempo dura esta calma. Não vou mandar minha filha para a escola, pois ainda não acho a situação estável”, disse Alan Saavedra, um taxista de Manágua.

Na terça-feira, as autoridades libertaram dezenas de jovens presos nos protestos. Os jovens denunciaram nesta quarta-feira as surras sofridas pelas mãos de supostos oficiais de polícia e do sistema penitenciário, antes de serem libertados quase nus. O governo também retirou o bloqueio à transmissão de uma última emissora censurada, abrindo caminho para o diálogo. / AP, EFE, AFP e REUTERS

 

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