Oswaldo Rivas/Reuters
Oswaldo Rivas/Reuters

Protestos contra Ortega deixam dois mortos durante greve geral no Nicarágua

Presidente realizou comício na cidade rebelde de Masaya; desde o início dos protestos, em abril, violenta repressão do governo matou 266 pessoas

O Estado de S.Paulo

13 Julho 2018 | 20h46
Atualizado 14 Julho 2018 | 02h21

MANÁGUA - Conflitos entre forças do governo do Nicarágua e manifestantes deixaram, pelo menos, dois mortos e outros vinte feridos nesta sexta-feira na cidade de Masaya, enquanto o presidente Daniel Ortega realizava um comício pela paz no país. As duas mortes, de um policial e um civil, ocorreram no bairro Monimbó, no sul de Masaya. As forças de Ortega "atacaram com armas pesadas", disse Alvaro Leiva, da Associação Nicaraguense de Direitos Humanos. Outro conflito foi registrado em uma universidade em Manágua.

"Houve uma resistência considerável, eles foram respondidos com bombas artesanais e morteiros. Um popular e um policial morreram no ataque, vários feridos", disse por telefone um líder da oposição no Monimbó. Enquanto o ataque foi registrado na região e áreas vizinhas, Ortega encerrava uma caravana que não podia entrar no bairro de Monimbó, onde os moradores estão entrincheirados em resistência ao governo.

A bordo de uma van cercada por escoltas, Ortega, junto com sua esposa Rosario Murillo, chegou à cidade rebelde de Masaya, a 35 km ao sul de Manágua, depois de centenas de veículos e motocicletas de apoio para neutralizar a greve. "Convidamos todos a seguir o caminho da paz, que é o único que nos dará tranquilidade", disse Ortega em frente à delegacia de polícia em Masaya, fortemente vigiada por policiais e agentes encapuzados, com quem ele tirou fotos.

Greve geral. Ônibus e ruas vazias, lojas fechadas. A Nicarágua amanheceu nesta sexta-feira, 13, paralisada por uma greve geral decretada pela oposição para exigir a saída do presidente Daniel Ortega. Em resposta, ele mobilizou partidários para marcharem até Masaya, cidade mais rebelde do país.

+ Repressão matou 264 na Nicarágua, diz comissão de Direitos Humanos

A segunda greve geral de 24 horas no país foi convocada pela Aliança Cívica para a Democracia e a Justiça, coalizão da oposição que inclui setores da sociedade civil. A primeira paralisou o país em 14 de junho. “Esvaziamos as ruas para mostrar que não queremos mais repressão. Queremos que eles vão embora”, diziam membros da oposição, referindo-se ao casal Ortega e Rosario Murillo, que é primeira-dama e vice-presidente.

De acordo com a oposição, a greve teve 90% de adesão, mas a mídia estatal falava em “normalidade” em algumas zonas de comércio. No Mercado Oriental, o maior do país, com cerca de 20 mil estabelecimentos, amanheceu hoje praticamente fechado.

+ Artistas da Nicarágua fazem apelo à comunidade internacional pelo fim da repressão

A greve geral fez parte de uma série de ações de três dias lançada para reforçar a pressão sobre o governo. Na véspera, milhares de manifestantes tomaram as ruas do país. Confrontos durante a marcha a Morrito, no sudeste, deixaram cinco mortos: quatro policiais e um manifestante.

Amanhã, uma carreata deve percorrer bairros em Manágua, onde polícia e grupos paramilitares lançaram violentas operações contra os manifestantes. A oposição pede justiça, eleições antecipadas e a saída do presidente, acusado de ter instaurado uma “ditadura” marcada pela corrupção e pelo nepotismo.

Ortega, ex-guerrilheiro de 72 anos, está no poder desde 2007. Segundo a Comissão Interamericana dos Direitos Humanos (CIDH), pelo menos 264 pessoas morreram desde 18 de abril, início das manifestações. Em resposta aos protestos, Ortega planeja uma marcha em direção a Masaya para celebrar o “Recuo”, episódio de 27 de junho de 1979, quando milhares de guerrilheiros sandinistas se entrincheiraram na cidade, a 30 km de Manágua, para derrubar o ditador Anastasio Somoza. 

“A marcha para a vitória não para”, afirmou a primeira-dama, Rosario Murillo, mobilizando os fiéis da Frente Sandinista da Libertação Nacional, o partido governista. / AFP 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.