Nicarágua tem disputa eleitoral acirrada

Mais de 2 milhões de nicaragüenses estavam aptos a votar neste domingo numa disputada eleição presidencial que pode levar os sandinistas de volta ao poder 11 anos depois de derrotados nas urnas pela direita. As pesquisas de intenção de voto indicavam empate técnico entre Daniel Ortega, de 55 anos, da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), e o empresário Enrique Bolaños, de 73, do governante Partido Liberal Constitucionalista (PLC), de direita. Cerca de 10 mil observadores nicaragüenses e estrangeiros, tendo à frente o ex-presidente dos EUA Jimmy Carter e o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Cesar Gaviria, vão acompanhar a apuração, que deve ser lenta. Atraso As seções eleitorais abriram com mais de duas horas de atraso e o presidente do Conselho Supremo Eleitoral (CSE), Roberto Rivas, justificou a demora atribuindo-a à desconfiança dos membros das juntas receptoras, que verificaram várias vezes o material eleitoral. Devido à demora, milhares de pessoas tiveram de esperar em longas filas. Até mesmo Ortega e o atual presidente, Arnoldo Alemán, aguardaram por mais de uma hora para votar. Bolaños tem o apoio do meio empresarial, enquanto Ortega conta com a simpatia da população mais pobre, esperançosa de que desta vez ele erradique a pobreza. "O amor é mais forte do que o ódio" foi o slogan da campanha de Ortega, empenhado em reconciliar-se com os velhos inimigos políticos. Ele foi um dos líderes da Revolução Sandinista, de esquerda, que derrubou o ditador Anastasio Somoza, em 1979. Seu governo aliou-se a Cuba e à União Soviética e foi alvo de embargo econômico dos EUA. Os americanos financiaram um grupo rebelde, os contras. Voto de protesto Analistas políticos avaliam que Ortega terá a seu favor o voto de protesto por causa da situação de pobreza do país, de uma crise na agricultura e da ampla corrupção no governo de Alemán. Bolaños, por sua vez, na tentativa de atrair o empresariado, promete continuar a política econômica de livre mercado adotada por Alemán - mas com maior ênfase no combate à corrupção.

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