Nicarágua vai às urnas para escolher presidente

Neste domingo, quando forem às urnas, os eleitores da Nicarágua irão escolher seu próximo presidente entre cinco candidatos que representam as diferentes forças políticas do país: o Partido Liberal Constitucionalista (PLC), a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), a Aliança Liberal Nicaragüense (ALN), a Alternativa pela Mudança (AC) e o Movimento Renovador Sandinista (MRS). O que está em jogo nestas eleições é uma mudança nas forças políticas entre os partidos tradicionais, como a FSLN do ex-presidente Daniel Ortega e o PLC, e os novos. Segundo as pesquisas, o favorito é Ortega, seguido por Eduardo Montealegre, da ALN. Mas as diferenças entre todos os candidatos não são muito grandes. De acordo com as mudanças realizadas na legislação eleitoral do país, os candidatos necessitam apenas dos votos de um terço do eleitorado para vencerem no primeiro turno. Isso quer dizer que, para chegar à Presidência, basta obter 35% dos votos válidos e uma vantagem de cinco pontos percentuais sobre o segundo colocado. Esse sistema polêmico surgiu a partir de uma aliança entre adversários políticos, como explicou à BBC o professor Arturo Cruz, do Instituto Centro-Americano de Administração de Empresas "No antigo sistema, antes das reformas, só era possível ganhar no primeiro turno com 50 pontos. A reforma do sistema eleitoral foi fruto das negociações entre a Frente Sandinista e o PLC", afirmou Cruz. A mudança beneficia especialmente Ortega, que segundo as pesquisas tem a preferência de perto de 35% dos eleitores. Acordo polêmico Para as novas forças políticas na Nicarágua, esse acordo é um reflexo da corrupção no cenário político do país. "Os pactos são a essência da democracia, mas só quando servem para fortalecer a instituição e tornar mais transparente a política. Neste caso, serviu para repartir o poder partidariamente", disse à BBC o líder do MSR, Edmundo Jarquín. Segundo Jarquín, o líder do PLC, Arnoldo Alemán, cedeu à chantagem de Ortega. "Este dizia: ´se não fizeres um acordo comigo, se não me deres esta ou outra parcela de poder, eu paraliso o país, eu promovo uma greve´. Este não é um acordo democrático", afirmou o líder do MSR, partido de esquerda que se separou da FSLN de Ortega. Ortega garante que o acordo foi necessário. "Simplesmente o que temos feito é atuar em concordância com as regras do jogo democrático", disse o candidato à BBC. Para Montealegre, o segundo colocado nas pesquisas, essas são as regras do jogo. Segundo o candidato da ALN, o acordo pode acabar sendo contraproducente para o líder sandinista. "Em 1999, Alemán decidiu repartir o poder com Ortega. Apesar desse acordo, o tiro pode sair pela culatra, porque nós vamos ganhar com esses 35%", disse Montealegre.

Agencia Estado,

03 Novembro 2006 | 07h40

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