Eric Feferberg/AP
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Nicolas Sarkozy nega ter recebido doação de Muamar Kadafi

Um website investigativo informou ter descoberto um documento do serviço secreto de Kadafi mostrando que o governo financiaria a campanha do presidente francês

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2012 | 03h05

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, rejeitou ontem as acusações de que o ditador líbio morto Muamar Kadafi tentou financiar sua campanha eleitoral em 2007, qualificando essa denúncia como um complô de seus opositores socialistas para desviar a atenção do debate principal.

Faltando apenas uma semana para o decisivo segundo turno da eleição presidencial, no domingo, o website investigativo Mediapart informou ter descoberto um documento do serviço secreto de Kadafi mostrando que o governo dele tinha decidido financiar a campanha de Sarkozy à presidência com 50 milhões.

Sarkozy lançou-se ontem à defesa de uma "nova ordem" na Europa, com o reforço das fronteiras e da ideia de nação. A proposta, que vai no sentido contrário aos 62 anos de unificação europeia, foi feita em comício em Toulouse e marca mais um passo na virada do presidente às bandeiras da extrema direita. Em Paris, seu opositor, François Hollande, do Partido Socialista (PS), pediu que se "tire a imigração do centro da campanha", dois dias depois de também ter feito promessas para limitar a entrada de estrangeiros no país. Pesquisas lhe dão uma vantagem entre 8 e 10 pontos sobre Sarkozy.

Para mobilizar seus militantes e tentar virar os prognósticos dos institutos de pesquisas, Sarkozy voltou à cidade de Toulouse, palco de atentados terroristas em março. Cercado de quase 7 mil eleitores, o presidente se propôs a "defender" os franceses da globalização, afirmando que esse foi o recado das urnas no primeiro turno - quando a candidata do partido de extrema direita Frente Nacional (FN), Marine Le Pen, obteve o terceiro lugar, com 17,9% dos votos. "Quero uma Europa que protege, não que expõe", afirmou Sarkozy. Para tanto, ele defendeu uma "nova ordem" no bloco. "Quero falar destes momentos da história nos quais é preciso construir uma nova ordem mundial, uma nova Europa", disse.

Para Sarkozy, essa "nova ordem" deve restabelecer a ideia de nação e recuperar as fronteiras, que classificou de "democracia". Em outros eventos, o chefe de Estado tem defendido a reforma do Tratado de Schengen, que garante a livre circulação de pessoas no interior da União Europeia.

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