Níger nega que Khadafi esteja em comboio que entrou no país

Há relatos de que ao menos 50 veículos armados tenham cruzado da Líbia à terras nigerinas, com dinheiro e combatentes.

BBC Brasil, BBC

06 Setembro 2011 | 13h39

Representantes do governo do Níger negaram que o líder da Líbia Muamar Khadafi esteja a bordo do comboio de 50 veículos líbios fortemente armados que entrou nesta terça-feira no país.

O Níger faz fronteira com o sudoeste da Líbia, em uma área de deserto.

Um correspondente da BBC na capital nigerina, Niamei, disse que há relatos de que o comboio esteja se dirigindo à cidade, sendo escoltado por militares locais.

Líderes da oposição a Khadafi na Líbia dizem acreditar que o comboio está carregando dinheiro e ouro do regime, além de combatentes de etnia tuaregue recrutados pelo líder líbio.

O chefe da segurança interna de Khadafi já havia cruzado a fronteira nigerina no domingo. Diante de rumores de que o líder líbio também rumaria ao país, ministros do Níger negaram a presença de Khadafi no comboio armado. Na segunda-feira, um porta-voz de Khadafi disse que ele permanecia na Líbia.

Ao mesmo tempo, o governo de Burkina Fasso, no oeste da África, ofereceu asilo a Khadafi.

Fuga

Representantes do Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão que controla a maior parte da Líbia atualmente, diz que o comboio partiu na segunda-feira de Jufra, cidade líbia ainda controlada por apoiadores de Khadafi.

"Veículos com ouro, euros e dólares cruzaram de Jufra para o Níger, com a ajuda de tuaregues nigerinos", disse o CNT à agência Reuters.

O correspondente da BBC em Trípoli Kevin Connolly relata especulações na capital líbia de que o comboio esteja levando também aliados de Khadafi, já que a rota desértica até o Níger é o caminho mais provável a ser escolhido para escapar do avanço das tropas leais ao CNT.

O porta-voz do Conselho em Londres, Guma el-Gamaty, disse à BBC que o Níger será penalizado se surgirem provas de que o país ajudou Khadafi a fugir.

Mas o chanceler nigerino negou essa possibilidade. "Khadafi não está (no país) e não creio que o comboio tenha o tamanho atribuído a ele", disse Mohamed Bazoum à agência France Presse.

O Níger é um dos países que reconheceram o CNT como governo legítimo da Líbia.

A Otan (aliança militar ocidental), que comanda uma ofensiva aérea contra o regime líbio, não perseguiu o comboio, segundo um porta-voz. O coronel Roland Lavoie disse que a missão da aliança na Líbia é proteger civis, e não monitorar "ex-líderes fugitivos, mercenários, comandantes militares e deslocados internos".

Bani Walid

Ao mesmo tempo, as tropas do CNT reforçaram o cerco a Bani Walid, uma das quatro grandes cidades líbias ainda controladas por tropas leais a Khadafi.

Um negociador do CNT disse ter concluído as conversas com os líderes tribais da cidade, para tratar da rendição de Bani Walid.

Um representante dos líderes tribais da cidade disse à BBC que eles tentarão convencer os moradores e os simpatizantes de Khadafi a deixar que o CNT entre na cidade de maneira pacífica.

O ultimato dado pelo Conselho para a rendição da cidade vence no sábado. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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