Abubakar Shekau/Reprodução/AFP
Abubakar Shekau/Reprodução/AFP

Nigéria deve retomar áreas do Boko Haram em um mês, afirma presidente

Goodluck Jonathan admitiu demora em reação no início do avanço do grupo extremista; 70 corpos são encontrados no país 

O Estado de S. Paulo

20 Março 2015 | 15h15

DAMASAK, NIGÉRIA - O presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, afirmou ter esperanças de que todo o território de seu país esteja fora das mãos do grupo extremista Boko Haram em um mês. "Eles estão ficando mais fracos a cada dia", afirmou o presidente em uma entrevista para a rede BBC nesta sexta-feira, 20.

O governo tem sido criticado pelas falhas ao combater o grupo e Jonathan admitiu que a reação das forças nigerianas ao avanço inicial dos insurgentes no nordeste do país demorou mais do que o necessário. No entanto, ele ressaltou que o Exército obteve vitórias importantes nas últimas semanas de um conflito que já matou milhares de pessoas desde 2012.

No início de março, o grupo extremista afirmou ter criado uma aliança com o jihadista Estado Islâmico (EI). "Anunciamos nossa aliança com o Califado dos Muçulmanos", declarou o líder do Boko Haram, Abubakar Shekau, na ocasião.

A uma semana das eleições no país, as pessoas são céticas com relação às declarações de vitória porque em outras ocasiões o governo havia afirmado estar próximo de derrotar o Boko Haram dentro de um período determinado de tempo, o que não se concretizou.

As eleições presidencial e legislativa deveriam ter ocorrido no dia 14 de fevereiro, mas a comissão eleitoral decidiu adiar em razão dos confrontos entre forças de segurança e extremistas. Na data inicial, milhões de pessoas poderiam ficar sem votar porque o Boko Haram detinha uma grande área do nordeste da Nigéria e 1,5 milhão de pessoas estavam desalojadas.

Vizinhos. A ação do grupo extremista se espalhou para países vizinhos da Nigéria, como Chade, Níger e Camarões, mas militares nigerianos afirmam ter recapturado de 11 a 14 distritos desses países.

Na quinta-feira, no entanto, o Boko Haram atacou a cidade nigeriana de Ngala e matou 11 pessoas, mesmo depois de o Exército ter dito que havia recapturado o local.

Nesta sexta, militares do Níger e do Chade descobriram os corpos de ao menos 70 pessoas, muitos decapitados, em uma vala perto de uma ponte na cidade nigeriana de Damasak, libertada do domínio do Boko Haram no sábado passado.

Os corpos estavam parcialmente mumificados pela atmosfera seca do deserto, segundo contou uma testemunha, o que pode indicar que as mortes ocorreram há alguns meses. Damasak havia sido ocupada pelos jihadistas em novembro e ficou sob domínio extremista por aproximadamente quatro meses. /REUTERS

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