Nigéria diz que assinou acordo de paz com Boko Haram

O governo da Nigéria anunciou nesta sexta-feira que assinou um acordo de paz com o grupo islâmico Boko Haram, contra o qual lutou durante seis anos, em um conflito que custou milhares de vidas. A declaração ainda não pôde ser confirmada com o outro lado que, por duas vezes, já teria firmado e desrespeitado acertos desse tipo.

Estadão Conteúdo

17 de outubro de 2014 | 15h27

Segundo as autoridades nigerianas, o acordo prevê a libertação de 219 adolescentes que foram sequestradas pelo grupo, incluindo alunas de uma escola interna atacada em abril deste ano.

"Eles também nos asseguraram que as alunas e todas as outras pessoas cativas estão vivas e bem", disse o porta-voz do governo, Mike Omeri. O gabinete do presidente do Chade, Idriss Deby, que supostamente supervisionou as negociações, não confirmou o envolvimento do líder do país no acerto e também a assinatura de um suposto acordo de paz.

Um porta-voz do presidente do Níger, Mahamadou Issoufou, o qual supostamente teria participado do diálogo, informou que desconhecia essa informação.

O anúncio da Nigéria acontece durante uma campanha eleitoral particularmente amarga. O presidente Goodluck Jonathan deve declarar formalmente que irá concorrer a um segundo mandato neste sábado. Na quarta-feira, seu rival, o ex-líder militar Muhammadu Buhari, anunciou sua campanha para retirar Jonathan no pleito, que será realizado em fevereiro.

A capacidade do atual chefe de Estado em lidar com o Boko Haram será uma questão-chave para a sua tentativa de reeleição. Desde que assumiu o comando do país, os conflitos com o Boko Haram deixaram mais de 14 mil pessoas mortas. A maior parte do Estado de Borno, que é tão grande em território e população quanto a Irlanda, está ou abandonada pelo governo ou sob controle do grupo islâmico.

Em 2012 e 2013, o governo da Nigéria anunciou que havia chegado a um acordo de paz com o grupo. Mas, em ambas as vezes, os ataques do Boko Haram continuaram e autoridades disseram que haviam negociado com integrantes de menor categoria do movimento, os quais teriam exagerado suas posições dentro do grupo. Fonte: Dow Jones Newswires.

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