Akintunde Akinleye/Reuters
Akintunde Akinleye/Reuters

Nigéria é pressionada a pôr fim à impunidade após massacre

Human Rights Watch cobrou investigação sobre episódio da segunda-feira, quando 528 nigerianos foram mortos

Reuters,

09 de março de 2010 | 09h44

A ONG defensora dos direitos humanos Human Rights Watch, sediada nos EUA, pressionou a Nigéria nesta terça-feira, 9, a levar à Justiça os responsáveis pelo massacre de ao menos 528  cristãos em um vilarejo para pôr fim a um ciclo de impunidade que permite a contínua instabilidade tribal e religiosa no país.

 

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Moradores de Dogo Nahawa, a cerca de 15 quilômetros ao sul da cidade central de Jos, enterraram dezenas de corpos, inclusive de mulheres e crianças, em uma cova coletiva na segunda-feira depois dos ataques recentes contra três comunidades evangélicas cometidos por pastores muçulmanos.

"Esse tipo de violência terrível deixou milhares de mortos no estado de Plateau na última década, mas ninguém foi responsabilizado", disse Corinne Dufka, pesquisadora sênior para a África Ocidental do Human Rights Watch. "Está na hora de desenhar uma linha na areia."

A ONG cobrou do presidente interino nigeriano, Goodluck Jonathan, que garanta uma investigação válida e processos judiciais contra os responsáveis. O porta-voz da polícia Mohammed Lerama disse que 93 pessoas haviam sido detidas.

Investigação

 

O presidente interino ordenou uma "profunda investigação" sobre o massacre de domingo. Segundo o porta-voz de Jonathan, Ima Niboro, o presidente também deu ordens aos chefes das forças de segurança para que reassumam o controle da situação na região e evitem novas situações de violência em Jos, capital do estado de Plateau.

 

A Human Rights Watch denunciou que a mobilização militar havia sido limitada a ruas principais e era incapaz de proteger pequenas comunidades.

Moradores de Dogo Nahawa, Zot e Ratsat, vilarejos de maioria cristã, disseram que pastores muçulmanos de morros próximos haviam atacado na manhã da segunda-feira, atirando para o alto para forçar a saída das pessoas de suas casas, antes de esfaqueá-las. Alguns morreram ao tentar fugir, outros foram queimados vivos.

Uma testemunha contou mais de 100 corpos no domingo apenas em Dogo Nahawa. O diretor de Informação do Estado de Plateau disse que 500 pessoas morreram, mas o número oficial da polícia é de 55, com corpos ainda sendo contados.

O número de mortos tem sido frequentemente alterado por motivos políticos em conflitos anteriores na região central da Nigéria, com diversas facções acusadas de exagerarem os números por motivos políticos ou diminuir os números para tentar amenizar os riscos de represálias.

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