Nigéria liberta mais de cem reféns de grupo islâmico

Ofensiva contra radicais do grupo Boko Haram continuam no norte do país.

BBC Brasil, BBC

29 de julho de 2009 | 14h06

A polícia da Nigéria libertou, nesta quarta-feira, mais de cem mulheres e crianças que estavam sendo mantidas como reféns por radicais islâmicos em uma casa no nordeste do país.

As vítimas, que afirmaram à BBC que ficaram presas seis dias se alimentando apenas de tâmaras, foram resgatadas na cidade de Maiduguri, capital do Estado de Borno, onde os conflitos entre tropas nigerianas e radicais do grupo islâmico Boko Haram continuam.

A maioria dos libertados é formada de mulheres jovens, muitas com crianças e bebês recém-nascidos.

Algumas vítimas afirmaram à BBC que seus maridos são membros do Boko Haram e, de acordo coma repórter da BBC Caroline Duffield, elas seriam originárias do Estado de Bauchi.

Há relatos de pessoas sendo mantidas como reféns pelos radicais em outros Estados do norte da Nigéria.

Violência

Os episódios de violência na região norte da Nigéria já duram quatro dias e deixaram mais de 180 mortos.

O grupo Boko Haram ("Educação é proibida", em tradução livre), que é liderado por Mohammed Yusuf e baseado na cidade de Maiduguri, é acusado de ataques a postos de polícia e prédios governamentais no norte do país.

Os militantes são contra o sistema de educação ocidental e acreditam que o governo nigeriano foi corrompido pelas ideias do Ocidente. Eles desejam impor a lei islâmica no país.

Na última terça-feira, forças de segurança nigerianas foram deslocadas para a cidade e atacaram uma mesquita e a casa a que pertence ao líder dos radicais.

Os militantes responderam aos ataques com tiros e os confrontos continuaram pela noite de terça-feira e pela manhã desta quarta-feira.

O oficial que lidera as operações do Exército nigeriano, coronel Bem Ahanotu, afirmou à BBC que os militantes estão bem armados e continuam trocando tiros.

Segundo Ahanotu, pelo menos 250 homens fazem a guarda da casa de Mohammed Yusuf, que também funciona como centro de operações da Boko Haram.

Estrangeiros

Segundo as autoridades, outros mil prováveis seguidores do grupo também estão na região.

O coronel Ahanotu afirmou à BBC que os documentos e itens pessoais encontrados nos corpos de homens que foram mortos durante os confrontos indicam que muitos deles são estrangeiros, vindos de países como Chade e Níger.

Pouco antes de partir para uma visita oficial ao Brasil, na noite de terça-feira, o presidente da Nigéria, Umaru Yar'Adua, ordenou que as forças de segurança do país tomem todas as medidas necessárias para conter os radicais. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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