Nigéria: pais de alunas reúnem-se com presidente

Encontro acontece depois de alguns dos pais se recusarem a ver o presidente semana passada

Agência Estado

22 de julho de 2014 | 09h34

O presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, reuniu-se com alguns dos pais das 219 meninas sequestradas na cidade de Chibok e algumas das alunas que conseguiram escapar dos extremistas islâmicos do grupo Boko Haram

O encontro desta terça-feira acontece depois de alguns dos pais terem se recusado a ver o presidente na semana passada. Durante meses, os pais vinham pedindo um encontro com Jonathan, que só concordou com a reunião após um pedido de Malala Yousafzai, a adolescente paquistanesa que milita pela educação de meninas.

O presidente nigeriano culpa os ativistas da campanha #BringBackOurGirls (Tragam nossas meninas de volta) por politizar os sequestros e influenciar os pais. Os pais dizem que precisavam de tempo para decidir quem participaria do encontro.

Um porta-voz disse que havia 177 pessoas na delegação que se reuniu com o presidente. Um repórter da Associated Press viu 51 das 57 meninas que escaparam dos sequestradores nos dias após a captura, ocorrida em 15 de abril. O fracasso no resgate das estudantes coloca o governo nigeriano sob fortes críticas internacionais.

Pais morrem antes de rever as filhas

Alguns dos pais das estudantes sequestradas em abril nunca verão suas filhas de novo. Desde que as meninas foram levadas, pelo menos 11 deles morreram e a cidade de onde elas foram levadas, Chibok, está sob cerco dos militantes, afirmam moradores locais.

Sete pais das estudantes sequestradas estavam entre os 51 corpos levados a um hospital de Chibok após o ataque à vila próxima de Kautakari, realizado neste mês, informou um funcionário da área de saúde, que falou em condição de anonimato.

Pelo menos outros quatro morreram em decorrência de problemas cardíacos, pressão alta e outras doenças que muitos acreditam tenham sido desencadeadas por causa do trauma após o sequestro, afirmou o líder comunitário Pogu Bitrus.

"O pais de duas das meninas sequestradas caiu numa espécie e coma e ficou repetindo os nomes das filhas até que a vida o deixou", disse Bitrus.

O acesso a Chibok foi interrompido por causa dos ataques frequentes às estradas, cheias de veículos queimados. Aviões comerciais já não voam mais para a região e o governo interrompeu os voos fretados.

Repórteres da Associated Press entraram em contato telefônico com moradores de Chibok e de áreas próximas para reunir informações sobre o local.

Segundo os moradores, o Boko Haram está se aproximando de Chibok e ataca vilas cada vez mais próximas da cidade. Os habitantes dessas vilas que sobrevivem às ações se refugiam em Chibok, que não tem recursos para receber os novos moradores. Segundo o líder comunitário Bitrus, há uma crise alimentar se aproximando, além da falta de dinheiro e combustível. Fonte: Associated Press.

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