Nigéria recolhe pelo menos 200 corpos após confrontos

Forças de segurança derrotaram grupo radcal islâmico, mas temem represália de remanescentes

Reuters

31 de julho de 2009 | 11h33

As autoridades da Nigéria recolheram mais de 200 corpos das ruas da cidade de Maiduguri, no norte do país, após dias de confrontos com membros de uma seita radical islâmica, informou um funcionário da Cruz Vermelha.

 

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"Eles estão levando os corpos em caminhões... até ontem (quinta-feira, 30), recebemos mais de 200 corpos", disse Aliyu Maikano, chefe da Cruz Vermelha na Nigéria, acrescentando que outros corpos ainda estavam sendo coletados.

 

A polícia nigeriana derrotou o grupo radical islâmico Boko Haram, após confirmar que o líder da seita foi morto pelas forças de segurança. Especialistas alertam, porém, para a possibilidade de ataques de vingança e um importante grupo de direitos humanos exigiu uma investigação sobre a morte do extremista.

 

Autoridades nigerianas afirmam que Mohammed Yusuf, o líder do chamado "Taleban nigeriano", foi morto depois de ser capturado na noite de quinta-feira, após uma perseguição de quatro dias. "Esse grupo atua sob um líder carismático. Eles não terão mais qualquer inspiração", afirmou um porta-voz da polícia nacional nesta sexta-feira. "O líder que eles pensaram ser invencível e imortal agora mostrou-se ser o contrário."

 

O porta-voz afirmou que há casos isolados de violência no norte nigeriano. Mas em geral "a vida está de volta ao normal", garantiu.

 

O grupo humanitário Human Rights Watch (HRW) pediu uma investigação. A pesquisadora sênior do HRW no oeste africano, Corinne Dufka, afirmou que as autoridades nigerianas devem agir imediatamente para investigar esse "assassinato ilegal" e

encontrar os responsáveis.

 

Houve choques nos Estados de Borno, Bauchi, Kano e Yobe, todos no norte da Nigéria, que provocaram a morte de mais de 600 pessoas desde o domingo, segundo policiais e testemunhas.

 

O "Taleban nigeriano" surgiu em 2004, quando estabeleceu uma base em Kanamma, no Estado Yobe, fronteira com Níger. Dali, o grupo passou a promover ataques contra a polícia. Acredita-se que a maior parte dos integrantes dessa milícia seja composta

por ex-universitários.

 

A maior parte da população do norte da Nigéria é muçulmana, mas há redutos cristãos nas principais cidades da região, o que causa tensão entre os dois grupos religiosos. Desde 1999, 12 Estados do norte nigeriano estabeleceram a Sharia, código de leis islâmico.

 

Testemunhas disseram nesta sexta-feira que a calma prevalecia em grandes partes de Maiduguri, a base de Yusuf e capital do Estado de Borno. Porém especialistas alertavam que a morte do líder pode não encerrar os distúrbios. O nigeriano Nnamdi K. Obasi, do International Crisis Group, afirmou que o grupo deve ter ainda várias centenas de seguidores, nas capitais de 12 Estados do norte do país, e alguns milhares deles em cada centro urbano. Obasi recordou que, para os seguidores de Yusuf, a morte em combate é a maior honra possível.

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