Nigéria vai às urnas em meio a ataques e medo de fraudes

Os centros eleitorais da Nigéria abriram às 10h (6h em Brasília) deste sábado, 21, dando início a uma eleição presidencial vista como crucial para a consolidação da democracia na mais populosa nação da África. O início do pleito teve que ser atrasado em duas horas devido a um atraso na distribuição das cédulas, que até a véspera não haviam chegado ao país.A votação começou horas depois de um grupo tentar atacar a sede da Comissão Eleitoral, em Abuja, com um caminhão tanque carregado de gasolina. Ninguém ficou ferido na ação.Também houve distúrbios na noite de sexta-feira, 21, no estado rico em petróleo de Bayelsa (sul), para onde o Exército foi enviado após um tiroteio de mais de duas horas entre milicianos e forças de segurança.Os colégios eleitorais permanecerão abertos até as 17h (13h em Brasília) deste sábado, caso as autoridades da Comissão Eleitoral não decidam prorrogar a votação. A possibilidade não é remota, uma vez que os centros eleitorais só começaram a ser abertos depois da distribuição de parte das 60 milhões de cédulas que chegaram da África do Sul, onde foram impressas, na noite de sexta-feira. A Nigéria é o país com maior extensão territorial do continente.A inclusão de um candidato presidencial a cinco dias da votação obrigou o governo a reimprimir material. A África do Sul é único país do continente que dispõe de uma gráfica capaz de produzir tantas cédulas em pouco tempo. Acusado de corrupção, o vice-presidente Atiku Abubakar só obteve na segunda-feira, 16, a permissão da Justiça para concorrer.Democracia fragilizadaAs eleições estaduais, há uma semana, já haviam mostrado a fragilidade da democracia do país. Ao menos 50 pessoas foram mortas em choques com a polícia, em manifestações desencadeadas após denúncias de fraudes. Nas imediações dos locais de votação foram encontradas cédulas preenchidas. Num estado, o número de votos superou o de eleitores.Mesmo diante desse cenário desolador, as expectativas em relação à votação são imensas - se não houver um golpe de Estado e o vencedor for empossado, será a primeira transição democrática no país. "A eleição na Nigéria será um teste e servirá de exemplo para todo o continente", disse o cientista político nigeriano Nnamdi Obasi, por telefone, ao Estado. "Tudo o que ocorre aqui reflete na África porque a Nigéria ocupa um papel de liderança, junto com nações como Egito e África do Sul." Como não há pesquisas eleitorais, é difícil prever quem irá vencer a corrida presidencial. O favorito é Umaru Yar´Adua, candidato do atual presidente Olusegun Obasanjo. Com a receita anual do petróleo de US$ 40 bilhões, o governo tem recursos para manipular a votação. Além de lutar pela derrota de Abubakar, seu vice e desafeto, Obasanjo tentou minar a candidatura do general Muhammadu Buhari, que governou durante o regime militar. Para vencer no primeiro turno, o candidato deve obter a maioria dos votos e 25% dos votos em 24 dos 36 estados. ViolênciaAlém dos problemas com as cédulas, a Nigéria já enfrenta desde a noite de sexta problemas com ataques de insurgentes.Um grupo desconhecido lançou neste sábado um caminhão-tanque carregado com gasolina e outros materiais contra a sede da Comissão Eleitoral da Nigéria, com uma pedra travando o acelerador, mas o veículo se desviou e não atingiu o alvo.Fontes da Comissão Eleitoral disseram à Efe que o caminhão estava sem motorista e sem placa, e acabou batendo num poste.Dentro da cabine havia cilindros de gás, que deveriam explodir com a colisão. O tanque de gasolina estava cheio até a metade. A velocidade atingida, porém, não foi suficiente para causar uma explosão. Houve apenas um pequeno incêndio, que não chegou à carga inflamável.Nenhum grupo se responsabilizou pela tentativa de atentado, que não causou vítimas. Os autores do ataque frustrado tiraram a placa do caminhão para que dificultar a identificação.TiroteioNa noite de sábado, homens armados tentaram seqüestrar o candidato a vice-presidente do governante Partido Democrático Popular (PDP), Goodluck Jonathan, governador do estado de Bayelsa, no sul do país. O confronto, que aconteceu na cidade de Yenagoa, durou várias horas, mas não deixou nenhum ferido.A Nigéria é a nação mais povoada da África, com 140 milhões de habitantes, e também o maior produtor de petróleo do continente. Mesmo assim, dois terços da população vivem abaixo da linha de pobreza.(Colaborou Mariana Della Barba)

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