Nigeriano que atacou avião nos EUA pode não ser da Al Qaeda

Em Londres, a Scotland Yard investiga o fato de o autor do ataque ter estudado em univerdidade inglesa

Agências internacionais

26 de dezembro de 2009 | 10h48

As autoridades norte-americanas ainda não deixaram claro se o homem que explodiu um artefato durante um voo de Amsterdã, Holanda, para Detroit, nos Estados Unidos, é de fato ligado ao Al-Qaeda, conforme disse, ou a outro grupo extremista. Já se trabalha, inclusive, com a suspeita de que o autor do ataque tenha agido sozinho.

 

O homem teria embarcado na Nigéria, passando por Amsterdã e tendo como destino Detroit, disse o presidente do Comitê de Segurança Doméstica da Câmara dos EUA, o republicano Peter King, à rede CNN. Uma porta-voz da polícia do aeroporto de Schiphol, em Amsterdã, não comentou sobre o caso ou sobre os procedimentos de segurança tomados no voo 253.

 

Uma autoridade legal afirmou que o homem disse ter sido instruído pelo Al-Qaeda para detonar o avião em solo norte-americano, mas outra autoridade advertiu que tal afirmação não pôde ser imediatamente confirmada e que o homem pode ter agido independentemente, inspirado, mas não especificamente treinado ou sob ordens de grupos terroristas. Abdul Mutallad disse ainda às autoridades que recebeu o artefato no Iêmen.

 

Embora o nigeriano não apareça na lista da Agência de Segurança do Transporte dos que não podem viajar, o nome dele está incluído na relação do Governo americano de suspeitos de terrorismo.

 

O vice-presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, ordenou que as agências de segurança do país investiguem o ataque ao avião americano, segundo informou o governo neste sábado, 26.

 

"Como uma nação, abominamos qualquer forma de terrorismo. O vice-presidente direcionou as agências de segurança para iniciarem uma completa investigação do incidente", disse a ministra da Informação Dora Akunyili em um comunicado.

 

"Enquanto medidas estão sendo tomadas para verificar a identidade do suspeito e sua motivação, nossas agências vão cooperar inteiramente com as autoridades americanas durante as investigações", prossegue o comunicado.

 

Oficiais da Autoridade de Aviação Civil da Nigéria e da Autoridade dos Portos Federais se encontraram neste sábado para discutir o incidente.

 

"Todas as medidas necessárias de segurança estão sendo tomadas na Nigéria. Qualquer passageiro, incluindo membros da tripulação, ou qualquer voo é objeto do mesmo rastreamento", disse o porta-voz da Autoridade dos Aeroportos Federais da Nigéria.

 

A Nigéria é o país mais populoso da África, dividida, a grosso modo, entre cristãos e muçulmanos, espalhados por mais de 200 grupos étnicos que geralmente vivem pacificamente lado a lado.

 

Não tem havido evidências conclusivas da presença da Al Qaeda no país, embora um grupo de islâmicos com ligações suspeitas tenha sido preso em 2007.

 

Alguns diplomatas expressaram preocupação de que a Nigéria se torne um alvo para grupos islâmicos radicais, devido a sua grande população pobre e importância estratégica em relação a petróleo.

 

A companhia área holandesa KLM afirma que conexões em Amsterdã de voos com origem em Lagos, na Nigéria, envolvem mudanças de companhia aérea e de aeronave. O aeroporto de Schiphol, um dos mais usados da Europa com grande tráfego de passageiros da África e da Ásia para a América do Norte, cumpre rigorosamente as regras de segurança europeias. Após a tentativa de ataque, a segurança para os voos em direção à América do Norte foi reforçada.

 

Em entrevista à CNN, o passageiro norte-americano Syed Jafry afirmou que a explosão ocorreu pouco antes de a aeronave pousar no aeroporto de Detroit. "Escutamos e barulho e, segundos depois, vi uma luz seguida de fogo", disse. Sentado a três fileiras de distância de Mudallah, que estava no assento 16-G, ele acrescentou que houve pânico apenas nas cadeiras ao redor e alguns passageiros mais distantes sequer perceberam o episódio. "Um homem mais jovem o dominou e ficamos mais calmos", finalizou Jafry. A companhia Delta Airlines informou que algumas pessoas ficaram feridas na fracassada tentativa de atentado.

 

O FBI e o Departamento de Segurança Doméstica divulgaram um alerta da inteligência em 20 de novembro sobre o cenário de riscos durante os feriados de fim de ano, o qual foi visto pela Associated Press. A nota dizia não terem informações específicas sobre planos de ataque do Al-Qaeda ou outro grupo terrorista.

 

COMISSÃO EUROPEIA

A Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia (UE), disse ter ficado "horrorizada" com a tentativa de atentado terrorista contra um avião com 278 passageiros a bordo que nesta sexta-feira ia de Amsterdã para Detroit.

 

"Este incidente mostra mais uma vez que a vigilância na luta contra o terror é necessária o tempo todo", disse em nota o comissário europeu de Justiça e Interior, Jacques Barrot.

 

"Estou horrorizado", admitiu Barrot, que confirmou que a Comissão Europeia está em contato com as autoridades competentes, tanto holandesas como americanas, para se certificar de que todas as normas e procedimentos foram respeitados na Europa.

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