'Ninguém acredita que Mugabe venceu as eleições', diz Brown

Premiê britânico critica demora no resultado eleitoral do Zimbábue, no encontro da ONU com União Africana

Efe,

16 de abril de 2008 | 17h09

A crise política do Zimbábue foi o tema principal do encontro entre os 15 membros do Conselho de Segurança da ONU e da União Africana (UA), realizado nesta quarta-feira, 16, para estreitar a colaboração na resolução dos conflitos do continente. Apesar da oposição sul-africana, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, assim como vários dos governantes, entre eles o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, falaram sobre a crise no Zimbábue em seus discursos. Brown afirmou que "ninguém acredita" que presidente do país, Robert Mugabe, tenha vencido as eleições. "Uma votação roubada não pode ser uma eleição, definitivamente", acrescentou o premiê, segundo o jornal The Guardian.   Veja também: Justiça nega divulgação de resultado eleitoral no Zimbábue   A África do Sul, que convocou a reunião no papel de presidente rotativa do Conselho durante o mês de abril, chegou a manter a situação do Zimbábue fora da agenda oficial, na qual se encontravam outros conflitos como o da região sudanesa de Darfur, o da República Democrática do Congo ou o da Somália.   Ban alertou que "a credibilidade da democracia na África pode depender da resolução da crise zimbabuana" e lembrou que a comunidade internacional "continua à espera" de que as autoridades do Zimbábue e dos países da região, como a África do Sul, cumpram suas promessas de que resolverão a crise sem intervenção externa.   A oposição zimbabuana assegura que a recusa da Comissão Eleitoral do país em publicar os resultados é uma tática para esconder a derrota de Mugabe, que ocupa o poder desde 1980. O primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, foi mais discreto e disse sentir "grande preocupação" com a profunda crise do país africano.   O presidente da Tanzânia, Jakaya Kikwete, cujo país preside a UA, também mencionou a situação política no Zimbábue e louvou a atuação da Comunidade para o Desenvolvimento do Sul da África (SADC) nos últimos dias para superar a crise.   Por sua vez, o líder sul-africano, Thabo Mbeki - que é criticado de proteger Mugabe -, não mencionou a situação do país vizinho e preferi centrar seu discurso no objetivo de estreitar a colaboração entre as Nações Unidas e a UA.

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