Ninguém parece capaz de mostrar à senadora a porta da rua

Ele jamais se livrará dela. Não sozinho. O próprio fato de ele não conseguir isso é o principal argumento dela contra ele. Ela sugere que ele não tem "o que é preciso" para administrar o país. A mensagem é: se ele não consegue se livrar de mim quando meus superdelegados estão desertando, meu dinheiro está acabando e os líderes do partido estão ficando fartos de mim, como se pode contar com ele para esmagar o Irã e conter Osama?Agora que Hillary venceu na Pensilvânia, o presidente do comitê democrata, Howard Dean, não vai ser de muita ajuda tentando conduzi-la para a saída. É como se a Micronésia dissesse à Rússia para destruir seu arsenal nuclear."O povo americano não desiste. E merece uma presidente que também não desiste", disse uma entusiasmada Hillary na festa da vitória na Filadélfia.Os democratas estão cada vez mais desesperados com isso. Com os preços da gasolina fora do controle e um presidente Bush comicamente inconsciente dançando em New Orleans - a cidade que ele deixou ser inundada -, derrotar os republicanos deveria ser moleza.Mas os democratas observam horrorizados como Hillary continua arranhando o brilho de Obama, enquanto o republicano John McCain não só consolida seu próprio partido, como ocupa espaço dos democratas, aventurando-se corajosamente em Selma, Alabama, em busca do apoio de eleitores negros.Para piorar, entra Bill Clinton com seu primoroso senso de oportunidade: exatamente no momento em que os eleitores da Pensilvânia estavam para votar, o marido de Hillary foi a primeira pessoa a jogar a carta caucasiana. Primeiro, deixou escapar em uma entrevista de rádio que a campanha de Obama estava jogando a carta da raça contra ele, depois de ele ter comparado a força do candidato na Carolina do Sul à de Jesse Jackson. Mais tarde, diante das câmeras de TV, apontando o dedo em sinal de advertência, ele negou isso ao jornalista da NBC News. "Você está sempre me seguindo com essas pequenas jogadas e não vou entrar em seu jogo hoje", disse Clinton, acusando o repórter de estar procurando "mais uma história barata para distrair o povo americano dos assuntos realmente prementes". Se há alguém que conhece bem as distrações grosseiras, é Bill. Foi uma explosão embaraçosa para ele.Os democratas estão ansiando por uma disputa entre Obama e McCain. Mas não podem avançar porque ninguém parece ser capaz de mostrar a porta da rua para Hillary. Apesar de todos os seus dons brilhantes, Obama perdeu várias oportunidades para decidir o jogo. Ele sabia estar perdendo o debate na Filadélfia, mas ficou tão irritado com os moderadores - e por ter de ficar perto de Hillary - que não conseguiu soltar nenhuma frase feliz.Ele está nervoso por saber que ela o detesta e ele está acostumado a encantar a todos? Ou se sente culpado por estar à frente dela? Como marido de Michelle, ele sabe o que é desafiar a vontade de uma mulher forte? Ou simplesmente ficou assustado com Hillary porque ela é assustadora? Obama está desesperado para livrar-se dela porque não consegue manter um alto consumo de carboidratos para relacionar-se com o cidadão comum.Nos últimos dias de campanha na Pensilvânia, ele tenazmente gastou bastante tempo em jantares e se viu obrigado a se alimentar de waffles, panquecas, salsichas e sanduíches. Dividiu as panquecas com Michelle, deixou de lado parte dos waffles e das salsichas e descartou as batatas fritas que vieram com os sanduíches. Mas, claramente, ele está louco para voltar às suas claras de ovos orgânicos. Isso ficou claro durante um jantar em que um repórter lhe perguntou sobre o encontro de Jimmy Carter com o Hamas."Por quê? Será que não posso simplesmente comer meu waffle?", suplicou Obama. E ficou óbvio o que ele deixou subentender: por que não posso simplesmente ser presidente? Por que é que preciso ficar comendo esses waffles pegajosos, respondendo a "pegadinhas" de jornalistas e debatendo com uma mulher estranha? Antes que os dois se devorem novamente, os democratas poderiam cantar: "Chegou a hora. Vá embora, não importa como. Hillary Clinton, por favor, vá embora já!"*Maureen Dowd é colunista do ?New York Times?

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