"Ninguém põe a Rússia de joelhos", diz Putin

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, lamentou ontem a morte de 90 civis durante a sangrenta invasão por forças especiais russas do Palácio da Cultura - famoso teatro moscovita -, onde quase mil pessoas eram mantidas desde quarta-feira como reféns por 50 rebeldes chechenos."Não pudemos salvá-los, perdoem-nos", disse Putin visivelmente abatido em pronunciamento por uma cadeia nacional de televisão. E acrescentou: "O resgate de centenas de reféns com vida (750, entre os quais 71 turistas estrangeiros) é uma prova evidente de que ninguém põe a Rússia de joelhos", ressaltou Putin, numa referência à exigência dos seqüestradores: o fim da guerra da Chechênia e retirada das tropas russas da pequena república muçulmana do Cáucaso.O presidente russo, que visitou reféns feridos num dos hospitais de Moscou, voltou a enfatizar que considera o conflito checheno parte da guerra mundial contra o terrorismo e agradeceu em seguida, a solidariedade e apoio recebidos de vários governos ocidentais."Ficamos comovidos com o apoio recebido do exterior para nossa luta contra esse inimigo forte, perigoso, cruel e desumano que é o terrorismo internacional."Seu ministro do Interior, Vladimir Vasilyev, havia denunciado, pouco antes, a existência de ligações entre os extremistas chechenos e embaixadas de países acreditados na capital russa.Uma das primeiras manifestações de solidariedade logo após o fim da operação de resgate partiu do presidente americano, George W. Bush, que se encontra no México, participando da reunião da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec). Putin também deveria participar, mas acabou cancelando a viagem por causa da invasão do teatro pelos extremistas chechenos.Também os governos da Grã-Bretanha, França, Alemanha e Itália manifestaram solidariedade a Moscou e aos parentes das vítimas. No Vaticano, o papa João Paulo II manifestou-se "angustiado" pelo "trágico final dos acontecimentos de Moscou".

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