Nipo-brasileiros criticam declaração de ministro brasileiro

Os presidentes de duas das principais entidades nipo-brasileiras com sede em São Paulo repudiaram ontem a fala do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, sobre a crise no Japão. "O Brasil vai acabar, apesar de não desejarmos essa tragédia para ninguém, não tendo prejuízo, até ganhando com isso", disse o ministro na terça-feira.

Guilherme Russo, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2011 | 00h00

"Não entendi o espírito dessa afirmação", disse Kihatiro Kita, que dirige a Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e Assistência Social Bunkyo. Ele classificou as declarações de Lupi como "infelizes", mas disse não ter visto "um sentido difamatório".

Para o presidente da Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil, Akeo Yogui, "o ministro até tem razão, mas, nesse momento, em que todo o mundo está se solidarizando, a declaração foi inoportuna, uma gafe".

O Estado procurou o Ministério do Trabalho, mas a pasta não respondeu às críticas.

Kita afirmou que a economia brasileira poderá ser prejudicada, já que os dekasseguis - brasileiros de ascendência japonesa que vão trabalhar naquele país e mandam dinheiro para o Brasil - deverão ser os primeiros a perder o emprego em meio à crise.

Hoje, um ato ecumênico em memória das vítimas ocorre na sede da Bunkyo em São Paulo às 10 horas, na Rua São Joaquim, 381, no bairro da Liberdade.

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