Nível de radiação leva pânico a Tóquio

Índice 20 vezes superior ao normal causa filas nos aeroportos e faz a população da maior metrópole do mundo estocar água e alimentos

Cláudia Trevisan, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2011 | 00h00

O nível de radiação subiu ontem a um patamar 20 vezes superior ao normal em Tóquio, a mais populosa região metropolitana do mundo, com 32 milhões de habitantes. Esse grau de radioatividade ainda não causa danos à saúde, mas o pânico causado pelo risco de uma catástrofe nuclear derrubou a bolsa de valores, levou estrangeiros a abandonar em massa a cidade e agravou a angústia dos japoneses, que ainda estão sob o impacto do terremoto seguido de tsunami que devastou o nordeste do país na sexta-feira.

O governo ressaltou que a radiação encontrada na capital está longe de afetar a saúde humana, mas a sucessão de desastres nas duas usinas nucleares localizadas a 240 quilômetros ao norte da cidade provoca incerteza em relação ao desfecho da crise.

O aumento da ansiedade dos habitantes de Tóquio ficou evidente no movimento de estocagem de alimentos e água. Pessoas que estão na capital disseram por telefone ao Estado que há prateleiras vazias nos supermercados. A tensão aumentou ainda mais na tarde de ontem, quando um tremor de 6 graus na escala Richter atingiu o leste do país.

Várias multinacionais retiraram seus funcionários do país ou transferiram suas operações para Osaka. A Embaixada da França afirmou que o nível de radiação verificada na capital não apresenta nenhum risco à saúde, mas aconselhou seus cidadãos a deixar Tóquio temporariamente. Nos aeroportos de Narita e Haneda, estrangeiros formavam filas para embarcar para outros países ou cidades do Japão.

Risco nuclear. O foco da crise são as usinas de Fukushima, na costa leste, bastante afetada pelo duplo desastre de sexta-feira. Ontem, uma piscina que funcionava como depósito de combustível nuclear usado - que, assim como os reatores, também precisa de resfriamento - pegou fogo e causou vazamento de radiação em níveis perigosos. A Tokyo Electric Power, informou que 70% das barras de combustíveis do reator 1 da usina foram danificadas, enquanto no reator 2 o dano ficou em 33%. Acredita-se que parte dos núcleos dos reatores foi derretido porque perdeu seu sistema de resfriamento. A concentração de material radioativo no local subiu a patamares elevados, levando à retirada da equipe que tenta resfriar os reatores. Uma nuvem branca de fumaça também foi vista saindo do reator 3.

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