Salvatore Di Nolfi/AP
Salvatore Di Nolfi/AP

Nível de violência na Síria é 'inaceitável', diz Kofi Annan

Observatório Sírio pelos Direitos Humanos informou que 12 mil pessoas foram mortas no conflito

AE, Agência Estado

08 Maio 2012 | 15h07

BEIRUTE - O enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Síria, Kofi Annan, disse ao Conselho de Segurança da organização nesta terça-feira que "níveis inaceitáveis de violência e abusos" continuam a ocorrer na Síria e alertou que o país poderá mergulhar em uma guerra civil se a missão de observadores da ONU fracassar em fazer cumprir o cessar-fogo que começou em 12 de abril.

Nesta terça-feira, o Observatório Sírio pelos Direitos Humanos, grupo de ativistas com sede em Londres, informou que 12 mil pessoas foram mortas no conflito sírio, que começou em 15 de março do ano passado.

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Dois diplomatas, que falaram em Genebra sob anonimato, disseram que Annan reportou menos operações militares em larga escala do governo a partir do dia 12 de abril, e que a presença dos observadores militares da ONU na Síria parece ter acalmado um pouco a situação. Mas Annan ressaltou que as tropas sírias continuam presentes nas cidades, as violações dos direitos humanos são generalizadas e podem estar em escalada, a assistência humanitária é insuficiente e o governo nega "as aspirações legítimas do povo sírio".

Mais cedo nesta terça-feira, Jakob Kellenberger, presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, disse que o conflito sírio está virando uma "guerra de guerrilhas". Kellenberger disse que 1,5 milhão de sírios, no momento, lutam para suprir suas necessidades básicas como alimentos, água e abrigo. Kellenberger disse que os confrontos entre o governo e soldados desertores e oposicionistas continuam a ocorrer nas cidades e províncias de Homs e Idlib.

Annan disse ao Conselho de Segurança que 1 milhão de sírios estão em necessidade urgente de ajuda humanitária, o que significa alimentos e remédios. Dezenas de milhares de sírios estão vivendo em prédios públicos, deslocados pelo conflito civil, enquanto a Cruz Vermelha Síria e o Crescente vermelho Sírio já alimentam cerca de 100 mil pessoas "particularmente vulneráveis", afirmou Kellenberger.

O Observatório Sírio pelos Direitos Humanos informou hoje que o número de mortos no conflito na Síria ultrapassou 12 mil desde março do ano passado, quando estourou a revolta contra o presidente Bashar Assad. Rami Abdel Rahman, chefe do Observatório, disse que do total de mortos 800 o foram após 12 de abril, quando entrou em vigor o cessar-fogo entre governo e oposição, desrespeitado por ambas as partes várias vezes.

"Um total de 8.515 civis foram mortos desde que a revoltou começou, ao lado de 3.410 soldados, incluídos 720 desertores do Exército", disse Abdel Rahman. Ele disse que desde que a trégua entrou em vigor em abril, foram mortos 589 civis, 213 soldados regulares e 29 soldados desertores.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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