Carlo Allegri/Reuters
Carlo Allegri/Reuters

No 11 de Setembro, Trump e Biden evitam campanha agressiva

Pausa ocorre em uma corrida polarizada em que o republicano e o democrata têm visões diferentes em praticamente todas as questões, incluindo o que significa confortar uma nação em luto

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2020 | 19h10

SHANKSVILLE, EUA - Os dois candidatos presidenciais nos Estados Unidos evitaram troca de acusações nesta sexta-feira, 11, para prestar homenagens aos americanos mortos nos ataques terroristas do 11 de Setembro, que completaram hoje 19 anos. 

A pausa ocorre em uma corrida polarizada em que o republicano Donald Trump e o democrata Joe Biden têm visões diferentes em praticamente todas as questões, incluindo o que significa confortar uma nação em luto.

Em Shanksville, Pensilvânia, o presidente Trump homenageou os mortos do Voo 93, o avião que foi sequestrado e rumava para Washington, mas que caiu em um campo depois que os passageiros reagiram. 

Biden viajou para Nova York antes de visitar Shanksville. Ele falou com parentes das vítimas, mas sem fazer um discurso formal. 

“Nossa tarefa sagrada, nosso dever justo e nossa promessa solene é levar adiante o legado nobre das almas corajosas que deram suas vidas por nós há 19 anos”, disse Trump. “A única coisa que se interpôs entre o inimigo e um ataque mortal no coração da democracia americana foi a coragem e determinação de 40 homens e mulheres, os incríveis passageiros e tripulantes do Voo 93.”

Biden e sua mulher, Jill, compareceram à cerimônia do National September 11 Memorial & Museum, em Manhattan. O vice-presidente Mike Pence também viajou para Nova York, onde cumprimentou Biden com o cotovelo. Os dois assistiram à cerimônia a poucos metros de distância.

Em seguida, Biden e sua mulher viajaram para Shanksville, onde ele depositou uma coroa de flores brancas no Memorial Nacional do Voo 93 e conheceu parentes de alguns deles – Trump também colocou flores no monumento, mas não falou com parentes. 

“Uma das marcas de ser americano é entender que há algumas coisas que são maiores e mais importantes do que você”, disse Biden, na Pensilvânia. Ele falou da coragem daqueles que "sabem conscientemente que o que está prestes a fazer pode custar sua vida".

No início do dia, o democrata prometeu aos repórteres que não “falaria sobre nada além do 11 de setembro”. “Suspendemos toda a nossa publicidade”, disse. “É um dia solene. É assim que vamos mantê-lo.”

Trump evitou repórteres que gritaram perguntas enquanto ele embarcava no avião oficial da presidência. Na aeronave, ele fez um minuto de silêncio exatamente às 8h46, quando o primeiro avião atingiu a torre norte do World Trade Center. “Deus abençoe a América”, disse Trump, sem fazer mais comentários.

O comportamento de ambos hoje destoou do tom adotado durante toda a semana, marcada por frequentes hostilidades entre Biden e Trump, faltando menos de dois meses para o dia da eleição. 

Em Shanksville, Trump fez um discurso em um púlpito montado em frente à parede de nomes em homenagem aos 40 passageiros e tripulantes que morreram no voo. “Em sua memória, decidimos permanecer unidos como uma nação americana”, disse Trump. “Para defender nossas liberdades, defender nossos valores, amar nossos vizinhos, cuidar de nosso país, cuidar de nossas comunidades, honrar nossos heróis e nunca, nunca esquecer”, afirmou.

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Tradicionalmente, as cerimônias do 11 de Setembro "são desprovidas de retórica política e são dedicadas a homenagear as vítimas dos ataques", explicou o professor de Ciência Política da Universidade de Columbia Robert Shapiro à agência France Presse.

Mas é um evento altamente midiatizado, onde o simples fato de estar presente, de mostrar liderança e empatia, permite marcar pontos, acrescentou ele.

"Portanto, (os candidatos) aproveitam a ocasião, ao mesmo tempo em que silenciam temporariamente a retórica corrosiva habitual", completou Shapiro.

O fato de ambos viajarem para a Pensilvânia, onde as últimas pesquisas mostram uma disputa acirrada entre os dois candidatos, ilustra seus "cálculos óbvios".

A Pensilvânia foi democrata durante muito tempo, até que, em 2016, o republicano Trump venceu no Estado, contribuindo para sua inesperada vitória sobre Hillary Clinton. Agora, os democratas querem a revanche. Biden nasceu nesse Estado, na cidade de Scranton. 

As cerimônias do 11 de Setembro marcam uma trégua, mas ela pode ser curta, como aconteceu há quatro anos. Hillary participou da cerimônia em Nova York em 2016, ao contrário de seu então rival Trump. Mas passou mal e saiu antes do fim do evento.

Seu médico revelou que dois dias antes ela havia sido diagnosticada com uma pneumonia, algo que a ex-secretária de Estado deixou em segredo. Trump explorou o episódio a seu favor, com piadas sobre a democrata./AFP e NYT

 

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