No aniversário da morte de Bin Laden, Obama vai a Cabul preparar transição

Visita-surpresa. Presidente americano desembarca na capital afegã, assina acordo com Karzai que prevê a permanência de soldados americanos no país após a retirada em 2014 e promete 'luz no horizonte'; houve atentado com carros-bomba após a viagem

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

02 Maio 2012 | 03h02

Um ano depois da ação que levou à morte de Osama bin Laden no Paquistão, o presidente dos EUA, Barack Obama, desembarcou ontem de surpresa no Afeganistão para assinar um acordo de cooperação e delinear os planos americanos para o período após a retirada da maioria das forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em 2014. Após Obama deixar o país, um atentado reivindicado pelo Taleban atingiu Cabul.

Segundo a Casa Branca, um acordo assinado entre os governos dos presidentes Hamid Karzai e Obama prevê a possibilidade de que soldados americanos permaneçam no Afeganistão após o fim das operações de combate, daqui a dois anos, para "treinar as forças afegãs e combater os elementos remanescentes da Al-Qaeda". A presença militar americana no Afeganistão já dura mais de uma década.

O acordo não prevê bases permanentes no Afeganistão, mas compromete o país a dar "acesso e a permitir a atuação das forças americanas além de 2014". Simbolicamente, a visita marcaria o início do fim do longo conflito. Assim, em um ano eleitoral, Obama poderia dizer que encerrou as duas guerras iniciadas por George W. Bush.

Em um discurso na base militar de Bagram, Obama disse aos soldados: "Ainda haverá sofrimentos, dores e dificuldades no futuro, mas também uma luz no horizonte graças aos sacrifícios que vocês estão assumindo".

"Fomos capazes de forçar a saída da Al-Qaeda do Afeganistão, devagar e sistematicamente conseguimos dizimar os líderes da Al-Qaeda e, um ano atrás, conseguimos fazer Osama bin Laden pagar pelo que fez", disse Obama em meio a aplausos.

Atentado. Após Obama ter deixado Cabul, ao menos três carros-bomba explodiram na estrada que liga a cidade a Jalalabad, sede de várias bases militares ocidentais. Houve também um tiroteio no local. O Taleban reivindicou a autoria dos ataques, mas, até o fim da noite de ontem (manhã de hoje em Cabul), não havia informações sobre vítimas.

A guerra no Afeganistão é cada vez mais impopular entre os americanos tanto pelas mortes de jovens em combate como pelo seu elevado custo financeiro. A visita ocorre após uma série de incidentes envolvendo tropas dos EUA que causaram revolta, entre eles a queima de exemplares do Alcorão, o massacre de 17 civis afegãos e a divulgação de fotos de soldados urinando em cadáveres afegãos. / COM REUTERS

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