No ano, revolta e violência tribal mataram 2.300 no Sudão do Sul

Região se tronará intependente no sábado sob o risco de já nascer como um Estado falido

Reuters

07 de julho de 2011 | 12h13

JUBA - Mais de 2.300 pessoas morreram desde o começo do ano no sul do Sudão devido a confrontos tribais e à violência de rebeldes, disse a ONU na quinta-feira, 7, num sombrio lembrete da insegurança na região que se tornará formalmente independente no sábado, já sob o risco de se tornar um Estado falido.

 

Mais de 500 pessoas morreram só na última quinzena de junho, segundo cifras da ONU, o que indica um agravamento da situação. No relatório anterior, em meados do mês passado, eram contabilizados 1.800 mortos desde o começo de 2011.

 

A maior parte das novas mortes esteve relacionada a disputas por gado na região de Pibor, segundo Lise Grande, principal autoridade humanitária da ONU no sul do Sudão.

 

Grupos étnicos disputam há séculos o gado, parte vital da economia local. Mas o número de mortos tem aumentado porque, depois de décadas de guerra civil, a área está infestada de armas leves.

 

O governo do sul do Sudão acusa o norte de armar tribos rivais e de provocar insurgências para abalar o futuro país e manter seu controle sobre ele. Cartum nega.

 

A independência do novo país, que se chamará Sudão do Sul, foi decidida num referendo em janeiro, encerrando definitivamente uma guerra civil que deixou 2 milhões de mortos e 4 milhões de refugiados.

 

Desde o fim do domínio britânico, em 1955, o norte e o sul do Sudão mantiveram conflitos quase ininterruptos até 2005 por causa de questões étnicas, religiosas e ideológicas, e também pelo controle do petróleo.

 

"Um grupo de assalto (para roubar gado) atacou (outra tribo) nos últimos dias... Cerca de 10 mil cabeças de gado foram roubadas", disse Grande.

 

Do começo do ano ao final de junho, 2.368 pessoas morreram em 330 incidentes violentos ocorridos em nove dos dez Estados do Sudão do Sul, acrescentou ela. A violência causou a fuga de mais de 270 mil pessoas, sendo 100 mil na região de Abyei, disputada entre o norte e o sul.

 

Mais de 300 mil pessoas também voltarão voluntariamente ao sul desde outubro do ano passado, o que gera uma pressão sobre o governo local e as agências humanitárias, diz a ONU. "Temos mil retornados por dia no momento", afirmou Grande. "Há poucas semanas eram centenas por dia, e acho que ainda não chegamos ao auge."

 

Pelo menos sete milícias rebeldes enfrentam as forças do governo em partes remotas do território. Muitas delas dizem lutar contra a suposta corrupção e discriminação étnica do governo sulista.

 

O presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, já ofereceu anistia aos rebeldes, pedindo ajuda deles na construção da nova nação.

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