No Bahrein, funeral se torna protesto contra monarquia

Minoria xiita segue pedindo fim da dinastia sunita dos al-Khalifa no país

Agência Estado

22 de março de 2011 | 17h40

Funeral de Bahia reuniu centenas na capital.

 

MANAMA - Centenas de manifestantes se reuniram nesta terça-feira, 22, no funeral de Bahia al-Aradi, uma mulher xiita que tinha 51 anos e foi morta na semana passada pelas forças de segurança do governo do Bahrein. Bahia foi a primeira mulher a ser morta na repressão desencadeada pela monarquia do país.

 

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O irmão de Bahia, Habib al-Aradi, de 36 anos, disse que sua irmã foi morta com um tiro na cabeça quando dirigia o carro por uma avenida de Manama e procurava um posto de gasolina para abastecer o veículo. O carro teria se aproximado de um posto de controle militar, de onde vieram os disparos. Ele disse que as autoridades avisaram que o corpo de Bahia seria entregue no maior hospital público, Salmaniya, apenas nesta semana. O atestado de óbito traz como causa da morte uma "lesão cerebral severa".

 

"Essa não foi a verdadeira causa da morte dela", disse Habib al-Aradi. "Não podemos confiar mais neste exército", afirmou. Os militares bareinitas não comentaram a morte de Bahia. Manifestantes que foram ao sepultamento da mulher pediram o fim da dinastia al-Khalifa, que governa o Bahrein há mais de 200 anos. "Morte aos al-Khalifa", gritou a pequena multidão.

 

Uma tropa de 1,8 mil soldados da Arábia Saudita e de outros países do Golfo está ajudando as forças de segurança do Bahrein a reprimir a oposição, em grande parte xiita. A dinastia al-Khalifa é sunita. Grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que 20 pessoas, incluídos dois agentes de segurança, foram mortas no Bahrein desde que começaram os protestos, em 14 de fevereiro.

 

O rei do Bahrein, Hamad al-Khalifa, decretou estado de sítio no país na quarta-feira da semana passada, pouco antes de Bahia ser morta. As informações são da Associated Press.

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