FABIO MOTTA/ESTADÃO
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No Rio, Mujica diz que Brasil tem força para se recuperar da crise

Depois de ser homenageado por promover integração da América do Sul, líder uruguaio pediu humildade entre políticos; nesta tarde, Mujica fará palestra para centenas de jovens na concha acústica

Roberta Pennafort, Rio de Janeiro, O Estado de S. Paulo

27 de agosto de 2015 | 10h32

(Atualizada às 14h) RIO - Após receber uma homenagem da Federação das Câmaras de Comércio e Indústria da América do Sul (Federasur) no centro do Rio, o ex-presidente do Uruguai José Mujica, disse nesta quinta-feira, 27, que "o Brasil tem força suficiente para superar as dificuldades", ao comentar as investigações sobre corrupção do PT e outros partidos.

"Não estou no Brasil, mas o país já teve grandes presidentes e grandes dificuldades. O problema está no derrotismo de achar que está tudo perdido. Se teve gente que se equivocou, que sejam castigados", disse o político uruguaio. 

Mujica não quis comentar a possibilidade de Dilma Rousseff estar implicada em malfeitos. "Sou senador de outro país. Não viria ao Brasil, do qual dependemos tanto, opinar sobre a presidente ou o ministro tal. Tenho que ter habilidade diplomática e carinho com o povo brasileiro, pois os governos passam e povo fica", explicou.

O ex-presidente falou para cerca 400 pessoas no auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) no centro do Rio. Em fala contundente prezou a humildade entre os políticos e o fim de arroubos capitalistas. "Não é uma apologia da pobreza e da miséria Os políticos tem que viver como a maioria e não como a minoria privilegiada ", disse arrancando muitos aplausos da plateia.

"Se você se acostuma a comer na mesa dos ricos, acabará pensando que é rico. Não há homem grande, há causa grande", completou Mujica.

Mujica está no Rio de Janeiro para receber uma homenagem da Federação das Câmaras de Comércio e Indústria da América do Sul (Federasur), que o escolheu a "Personalidade Sur" por seu trabalho pela integração do continente.

Integração. O coordenador da área de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio (UERJ), Willians Gonçalves, que também é da diretoria da federação, contou que, ao ser consultado sobre o tributo, Mujica o aceitou com a condição de que pudesse falar a uma plateia de jovens no Rio.

A UERJ marcou então uma palestra de Mujica e se surpreendeu com a mobilização: "Fiquei surpreso mesmo. Ontem (quarta-feira) tivemos uma reunião de emergência para garantir a segurança", disse Gonçalves. A UERJ decidiu trocar o local do encontro, do teatro Odylo Costa Filho, que tem 950 lugares, para a concha acústica, anfiteatro aberto, por causa do grande número de pessoas esperado. Telões irão transmitir a fala do ex-presidente para o teatro e para o estacionamento que dá para a saída do metrô Maracanã. O encontro com Mujica ocorre às 18 horas desta quinta.

A ideia inicial era distribuir 900 senhas para o teatro e colocar o telão na concha, mas foi repensada diante da expectativa de aparecerem entre três mil e quatro mil pessoas. No evento criado no Facebook, foram cerca de 10 mil presenças confirmadas.

Entre os dois eventos o ex-presidente não tem agenda oficial. "Ele vai tirar a sesta (cochilo durante a tarde)", garantiu o presidente da Federação, Darc Costa.

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