Fernando Bizerra/Efe
Fernando Bizerra/Efe

No Brasil, Ban Ki-moon defende reforma do Conselho de Segurança

Secretário-geral da ONU diz que conselho 'deve ser mais representativo, mais credível e democrático'

João Fellet, BBC

16 de junho de 2011 | 17h12

BRASÍLIA - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse nesta quinta-feira, 16, em Brasília, que o Conselho de Segurança (CS) da ONU deve ser modificado para se adaptar à nova realidade geopolítica mundial.

"Isso significa que ele deve ser reformado de modo que se torne mais representativo, com mais credibilidade e democrático. Os Estados-membros começaram negociações num texto-base, e espero que isso se acelere", afirmou o sercretário em entrevista coletiva, após se encontrar com o chanceler Antonio Patriota no Palácio do Itamaraty.

Ban disse que está "totalmente consciente" da ambição brasileira de se tornar um membro permanente no Conselho - atualmente, o país ocupa um assento rotativo no órgão - e afirmou que o tema "deve ser discutido entre os Estados-membros" da ONU.

O sul-coreano chegou ao Brasil nesta quinta-feira, após visitar Colômbia, Argentina e Uruguai, e ainda hoje teria um encontro com a presidente Dilma Rousseff.

Sua viagem antecede a eleição para a Secretaria-Geral da ONU, cargo que ele ambiciona ocupar por mais um mandato de quatro anos. Como é o único candidato, dificilmente enfrentará obstáculos.

Papel maior na ONU

Ban disse ter afirmado aos líderes de todos os países sul-americanos que visitou que "eles podem ter um papel muito maior na ONU e em organizações multilaterais".

"Ao mesmo tempo, a ONU pode ter um papel maior na região, em termos de promoção de instituições democráticas, direitos humanos e a promoção da cooperação sul-sul".

Na coletiva, Ban disse ainda ter tratado, em seu encontro com Patriota, da Conferência de Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que deve ocorrer em junho de 2012.

"Esta (desenvolvimento sustentável) será a questão prioritária mais importante para ONU. (...) Avançamos rápido, mas não conseguimos entrar em acordo quanto a um acordo amplo e aceitável."

Ele afirmou também que o Brasil, dado o papel internacional que conquistou nos últimos anos, está em posição estratégica para construir consensos entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Mundo árabe

Comentando as instabilidades no mundo árabe, particularmente na Síria e na Líbia, Ban disse ter conversado muitas vezes com o líder sírio, Bashar al-Assad, e o exortado a "ouvir os desejos e as aspirações de seu povo".

"É totalmente inaceitável que muitos civis se manifestando pacificamente para conquistar seus direitos genuínos de maior liberdade e democracia sejam mortos e feridos."

Quanto à Líbia, disse esperar que o regime do coronel Muamar Khadafi promova um cessar-fogo que possa ser verificado, para que a ONU e outras entidades internacionais possam prover ajuda humanitária aos afetados pelo conflito.

Após o encontro, Patriota disse que tem conversado com chanceleres de alguns países do Conselho de Segurança na tentativa de articular a elaboração de uma declaração presidencial sobre a violência na Síria.

A declaração presidencial, afirmou o chanceler, não precisaria ser votada e "seria uma maneira de o Conselho de manifestar sobre uma situação que é preocupante e complexa". Segundo Patriota, Ban lhe disse considerar desejável a iniciativa.

 

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