No casal K, um toca e o outro marca o ritmo

Para analista, os Kirchners formam uma sociedade política cujas decisões são tomadas em comum acordo

Ariel Palacios, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2012 | 00h00

''''Néstor & Cristina S.A.'''' Se o casal presidencial fosse uma firma, possivelmente teria esse nome. A dupla - Néstor e Cristina Kirchner - é, segundo o analista político Silvio Santamarina, ''''uma sociedade política que funciona muito bem, onde mandam os dois''''. Para Santamarina, o casal Kirchner ''''nada tem a ver com o casal Juan Domingo-Evita Perón, em que Perón tinha a última palavra. No casal ''''K'''' as decisões são compartilhadas''''.Nos últimos quatro anos, Cristina participou das decisões mais cruciais do gabinete do marido. Agora, Kirchner é o principal cabo eleitoral da mulher. No casal ''''K'''', um toca a música enquanto o outro marca o ritmo.Néstor e Cristina começaram juntos suas carreiras políticas. Ele, como prefeito de Rio Gallegos; ela, como deputada. Depois, ele transformou-se no desconhecido governador de Santa Cruz, enquanto ela era uma prestigiada senadora. Em 2003, no início da campanha eleitoral, diversos políticos consideravam que o então presidente Eduardo Duhalde havia feito a escolha errada para seu ''''delfim''''. Em vez de Kirchner, deveria ter escolhido Cristina, que é muito mais conhecida, diziam. Mas Kirchner tornou-se presidente.Ele já deixou claro que não colocará o pijama. Na categoria de ex-presidente e ''''primeiro-cavalheiro'''' pretende viajar pelo país para criar um ''''novo partido''''. ''''A função de Kirchner seria preparar uma ''''retirada'''' institucional'''', explica Santamarina. ''''Ou seja, dar a impressão de que tentarão um terceiro governo e assim conseguir uma blindagem jurídica para não ter de realizar pactos a posteriori. A retirada é uma arte.''''O analista James Nielsen, diretor nos anos 70 do prestigiado jornal The Buenos Aires Herald, afirma que a parceria será complicada. Segundo ele, Kirchner poderá ser ''''grão-vizir'''' de Cristina ou conformar-se com papel mais discreto.''''Não há forma de prever se o casal está destinado a consolidar-se no poder ou se desmoronará por razões que talvez tenham menos a ver com a política ou a economia do que com as relações íntimas entre eles'''', disse Nielsen. ''''Cristina tem idéias próprias, que nem sempre coincidem com as de Néstor. Além disso, ela tem fama de ser temperamental. Quase uma megera domada'''', acrescenta.

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