No caso de 'Wilson', o relato da violência policial no país

Estudante diz que foi pego ao sair da escola e torturado com outros presos; exames apontam 'traumatismo craniano'

QUITO, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2014 | 02h00

Uma das vítimas citadas no relatório da Human Right Watch é o estudante da escola pública de ensino médio Mejía School identificado apenas como "Wilson". Ele relatou ter sofrido abuso da polícia após ser preso por ela.

Segundo Wilson, em uma noite de protesto em frente à escola, ele tentava chegar ao ponto de ônibus, quando dois policiais em uma motocicleta foram em sua direção. Ele e um grupo de estudantes começaram a fugir. No entanto, um dos policiais o derrubou ou com um chute. Enquanto tentava se levantar, o motociclista empinou a moto e jogou a roda dianteira nas suas costas. O jovem contou à ONG que os policiais o algemaram na moto e começaram a bater nele com cassetete até que perdesse a consciência.

Wilson disse ter acordado no chão da estação de polícia UPC Basilica. Quando abriu os olhos, um dos três oficiais presentes deu um golpe em seu pescoço e face, quebrando um de seus dentes. Em seguida, segundo seu relato, outro agente espirrou gás de pimenta em sua face, chutou suas pernas, braços, costas e pisou em seu pescoço, enquanto gritava: "Atire pedras agora".

Meia hora mais tarde, os policiais trouxeram outro rapaz que ele reconheceu sendo um de seus colegas da escola. Uma hora e meia mais tarde, havia seis novos detidos, todos com marcas de espancamento.

O rapaz afirmou à Human Right Watch que eles foram algemados com as mãos nas costas e obrigados a permanecerem agachados por meia hora. Wilson contou que eles apanhavam todas as vezes que tentavam se sentar. Segundo Wilson, todos os seus pertences, como celulares e dinheiro, foram confiscados.

De acordo com o relatório da ONG, os oito foram colocados na parte de trás de uma viatura e levados para a Unidade de Flagrante, onde são feitos os flagrantes. Eles foram colocados em uma cela com outros 60 presos. Ferido e sangrando, Wilson foi levado ao médico, que recomendou que ele fosse levado imediatamente para um hospital, o que não ocorreu.

Sem permissão para fazer ligações, Wilson contou ter conseguido ligar para sua mãe com um celular de um dos detidos, que conseguiu esconder o aparelho da polícia.

A mãe de Wilson. Alicia, foi à estação onde ele estava preso e conseguiu informar-se sobre seu filho. Uma viatura com Wilson saiu do prédio e um policial a chamou para que o fosse com eles para o hospital. O rapaz ficou internado por dois dias e, durante todo o período, contou ter recebido visitas da polícia.

Os exames médicos citados no relatório da ONG apontam que ele teve "traumatismo craniano" e outros ferimentos. No dia 25 de setembro, advogados da ONG equatoriana Fundação Regional de Assessoria em Direitos Humanos (INREDH) apresentaram uma ao gabinete da Procuradoria-Geral, pedindo uma investigação para o caso de Wilson.

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