Rodrigo Cavalheiro/Estadão
Rodrigo Cavalheiro/Estadão

Protestos chilenos têm a mão de Hong Kong, não a de Cuba e Venezuela

Estudantes usam vídeos com dicas de asiáticos; não há sinal de apoio cubano ou venezuelano

Rodrigo Cavalheiro / Enviado Especial, Santiago, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2019 | 06h30

Manifestantes chilenos estão aplicando macetes ensinados pelos protestos de Hong Kong. Vídeos em que os manifestantes asiáticos mostram como apagar uma bomba de gás lacrimogêneo, por exemplo, são transmitidos pelas redes sociais no Chile. O engenheiro Matías Pineda, de 26 anos, tem vários no celular. 

“Em Hong Kong eles são incomparavelmente mais organizados. Têm sinais para repassar capacetes e mantimentos. Se jogamos a bomba de gás de volta contra a polícia, o produto químico continua sendo expelido e nos afeta. É preciso apagá-la, com água e bicarbonato”, ensina. Outra tática é sair sempre em grupos e compartilhar a localização por sistemas como o WhatsApp. Assim, é possível saber, por exemplo, se todos chegaram em segurança em casa.

Não há evidência da participação de cubanos e venezuelanos na organização dos atos, como chegou a ser noticiado pela imprensa local. A promotoria negou essa informação. Segundo apurou o Estado entre os órgãos de segurança, esse rumor chegou a circular entre os militares e a informação chegou ao Palácio La Moneda, mas não foi confirmada. Entre os mais de 3 mil detidos até agora, 30 são venezuelanos. Há mais peruanos, por exemplo, entre os presos.

Também não há evidência de que os autores da depredação inicial no metrô de Santiago, no dia 18, tenham sido financiados por governos estrangeiros. A principal suspeita recai sobre grupos anarquistas e antissistema, que aproveitaram a manifestação iniciada por estudantes secundaristas contra o aumento na tarifa.

Ontem, novos confrontos ocorreram em Santiago, na Avenida Bernardo O’Higgins, que liga o centro da manifestação, na Praça Itália, ao Palácio La Moneda. O ato em defesa no sistema de ensino foi pacífico até as 19 horas, quando blindados avançaram sobre cerca de 500 manifestantes com jatos de água e bombas de gás.

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