No Chile, começa perfuração em mina

Sonda que fará túnel a 688 metros de profundidade começa a funcionar em Copiapó, horas após primeiro contato telefônico com parentes

, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2010 | 00h00

SANTIAGO

Equipes de resgate deram início ontem à perfuração do túnel de quase 700 metros de profundidade que será usado para retirar os 33 mineiros soterrados há 25 dias sob o deserto do Atacama, na cidade chilena de Copiapó. A perfuração - que, segundo o governo, só será concluída em dezembro - começou horas após o primeiro contato telefônico entre os mineiros e seus parentes, que acompanham as buscas do lado de fora.

Engenheiros envolvidos no resgate disseram que os 33 mineiros que ficaram presos numa rede de 2 km de túneis depois de um desmoronamento de terra, no dia 5, terão de trabalhar em turnos de 24 horas para ajudar a remover até 4 toneladas de pedras que cairão no interior do abrigo enquanto a sonda abre caminho. Os mineiros só poderão usar ferramentas básicas, como carrinhos de mão e vassouras industriais movidas a bateria.

O estado de saúde do grupo é considerado bom. Eles continuam recebendo suprimentos regulares de medicamentos, alimentos e líquidos por meio de três sondas de 8 centímetros de diâmetro.

Ontem, os mineiros gravaram novos vídeos no interior do abrigo, desta vez, mostrando apenas os rostos barbados e sujos de fuligem, em curtos recados pessoais.

No domingo, pela primeira vez, eles puderam falar com seus parentes por meio de um telefone. As conversas não passaram de 45 segundos, mas serviram para tranquilizar os que acompanham as buscas. "Eu estava nervosa, mas depois de falar fiquei mais tranquila", disse Ximena Contreras, mulher do mineiro Pablo Rojas. Por indicação de psicólogos, os parentes tentaram conter as lágrimas, mas nem todos conseguiram. "Foi uma conversa curtinha, bonita, e era o que eu precisava para ficar mais calma", disse Jéssica Cortés, mulher de Víctor Zamora.

O mineiros também mandaram recados emocionados. "Envio saudações a Angélica. Te amo muito, querida", disse Osman Araya, de 30 anos, antes de cair em prantos. "Digam a minha mãe que eu a amo muito. Nunca a deixarei. Lutarei até o final para estar com vocês."

O movimento sindical tenta agora fazer com o que o Estado assuma o pagamento dos salários dos 258 empregados da Mina San José, praticamente falida. "Queremos que a empresa seja devedora do Estado, não dos trabalhadores. Queremos que o governo pague integralmente nossos salários até que os companheiros (presos na mina) saiam e, em seguida, as rescisões", disse Evelyn Olmos, presidente do sindicato dos mineiros. / EFE e AP

 

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