Martin Bernetti/AFP
Martin Bernetti/AFP

No Chile, enfermeira toca violino para confortar pacientes com covid-19

Damaris Silva se apresenta em unidade de terapia intensiva do hospital onde trabalha

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2020 | 08h00

Damaris Silva enfrentou em maio o maior desafio de seu trabalho na enfermaria do Hospital El Pino, um dos centros mais pressionados pela crise do coronavírus no Chile, mas se voltou para o violino para o grande alento de seus pacientes e colegas.

Com sua voz, seu violino e também sua fé, Damaris decidiu que, naqueles dias sombrios no hospital, depois de uma jornada de 9 horas, entoaria melodias para os pacientes da unidade de terapia intensiva.

"Muitos me escreveram. Pessoas que estiveram hospitalizadas e que me disseram que eu não tinha ideia da felicidade proporcionada nesses momentos, através da música", disse Damaris à AFP.

Essa técnica de enfermagem de 26 anos transmite afeto com os olhos e termina seu turno exausta.

Embora seus dois filhos, de 10 e 3 anos, estejam esperando por ela em casa - sob os cuidados do marido eletricista -, às terças e quintas-feiras, ela fica mais uma hora neste hospital público na periferia de Santiago.

O Chile está entre os dez países com mais casos e mortes por coronavírus no mundo.

O hospital onde ela trabalha tem, hoje, 200 pacientes hospitalizados com coronavírus.

Damaris não esquece a angústia de maio, quando uma longa fila de ambulâncias esperava na rua, enquanto lá dentro corriam para arrumar os leitos.

O hospital ainda está cheio, mas a pressão diminuiu um pouco.

Tocando o famoso bolero Bésame Mucho, o sucesso colombiano Tabaco y Chanel, ou Te Amaré, do espanhol Miguel Bosé, além de música cristã, Damaris percorre os corredores da UTI e também faz um tour pela maternidade.

Despertar ao som do violino

"Ao ouvir seu talento, comecei a acordar do coma com o violino", disse à AFP Daniel Pizarro, um homem de 43 anos que, durante as piores semanas da pandemia em Santiago, esteve em coma, devido a um acidente.

Ele não foi infectado pela covid-19, algo que também atribui a esses "heróis" da Saúde.

Pizarro contou que "sentiu uma grande emoção", quando Damaris "começou a tocar sua música", e começou a mexer as mãos e os pés.

O público de Damaris vai de pacientes em estado crítico em coma induzido a pacientes que estão se recuperando e apreciam o concerto inesperado com um sorriso, um gesto de aprovação, ou um aceno de cabeça atrás dos vidros.

A música de Damaris também tem servido para o restante da equipe médica que trabalha na UTI e faz parte da linha de frente de toda rede de saúde do Chile. Esses profissionais lutam contra uma doença que deixou mais de 306.000 infectados no país.

Além disso, o Chile tem mais de 6.600 mortes confirmadas por testes de PCR (swab), e mais de 10 mil mortes prováveis.

Na quinta-feira, quando a noite caiu, Damaris encerrou seu "concerto", interpretando Bailando con tu sombra Alelí, do argentino Victor Heredia, um gesto apreciado e agradecido pelos aplausos de seus colegas. /AFP

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