No Chile, equipes melhoram envio de alimento a mineiros

O ministro da Saúde do Chile, Jaime Mañalich, disse ontem que foi possível melhorar o envio de alimentos para os mineiros presos em uma mina no norte do país, informa o jornal El Mercurio em seu site. Segundo a autoridade, cada mineiro recebeu duas barras de cereais para sua alimentação diária.

AE-AP, Agência Estado

27 de agosto de 2010 | 11h43

No entanto, Mañalich afirmou que outro tema em discussão entre os envolvidos é como ocupar as horas de ócio dos mineiros. As equipes decidiram que enviarão um pequeno projetor, por meio do qual os mineiros poderão assistir a filmes. Não foi decidido, porém, quais filmes seriam os mais adequados para essas circunstâncias. O ministro deu a entender que a primeira intenção é garantir que nenhum filme possa desestabilizar emocionalmente os mineiros, de acordo com o diário chileno.

Enquanto se decide sobre os filmes, a intenção é enviar aos homens mensagens de vídeo de seus familiares. O ministro disse que também será solicitado aos 33 mineiros que registrem suas lesões, para que essas imagens possam ser analisadas por médicos. Os homens presos já receberam alguns medicamentos. A Igreja Adventista do Sétimo Dia, da cidade de Copiapó, próxima da mina, anunciou que enviará bíblias em miniatura, informou o El Mercurio.

Também foi divulgado que quatro especialistas da agência espacial norte-americana, a Nasa, chegarão no domingo ou na segunda-feira para ajudar no caso. Segundo o ministro, já houve uma teleconferência com especialistas da Nasa, quando foram dadas importantes dicas para se evitar doenças entre os homens isolados. As autoridades preveem ainda tomar amostras de sangue dos mineiros, a fim de monitorar melhor o estado de saúde deles até o resgate, que deve ocorrer apenas perto do Natal, informa o jornal chileno.

Vídeo

O primeiro vídeo divulgado dos 33 homens presos em uma mina do Chile mostra os mineiros sem camisa, mais magros, mas aparentemente saudáveis. De braços dados, eles cantam o hino nacional e gritam "Longa vida ao Chile, e longa vida aos mineiros!". Apenas cinco minutos do que seria um vídeo de 45 minutos foi exibido ontem pela Televisión Nacional de Chile. Os homens fizeram as imagens com uma câmera mandada por um pequeno buraco que liga o abrigo de emergência no subsolo às equipes de resgate.

As imagens da mina San José mostram alguns homens de pé, outros deitados e aparentemente acordando. Um homem mostra orgulhoso o modo como eles organizaram o abrigo onde se refugiaram desde o deslizamento do dia 5. Os mineiros também mostraram outras áreas por onde eles podem caminhar. "Nós temos tudo organizado", diz um dos mineiros, aparentemente animado.

O guia subterrâneo mostrou uma mesa com dominós e comentou que "aqui é onde nós nos entretemos". "Nós nos encontramos aqui todo os dias", acrescentou. "Nós planejamos, fazemos assembleias aqui todos os dias, para que todas as decisões sejam baseadas nos pensamentos dos 33."

"Saudações à minha família! Nos tirem logo daqui, por favor", disse um dos mineiros no vídeo. Em um momento da gravação, um termômetro é focalizado, marcando 29,5 graus Celsius. A companhia proprietária da mina, San Esteban, informou que deve pedir falência e não poderá pagar os salários dos mineiros. A estatal chilena do setor de mineração escavará o túnel para retirar os homens, a um custo de US$ 1,7 milhão.

Discussão

O fato de uma mina com problemas de segurança, de uma empresa com poucos recursos, poder operar virou foco de discussão no país. O senador Baldo Prokurica, membro do comitê de mineração do Senado, disse que pressiona há anos pelo aumento do número de inspetores para a agência regulatória do setor, a Sernageomin. Atualmente, há 18 inspetores nessa instituição, tornando esse trabalho muito difícil no país.

Prokurica afirmou que a empresa envolvida tem um histórico ruim de segurança. Em 2007, executivos da companhia foram acusados de homicídio culposo pela morte de um mineiro. A família chegou a um acordo nesse caso. Em 2008, a mina reabriu mesmo aparentemente sem ter cumprido com todas as regulações, disse ele, acrescentando que as circunstâncias dessa reabertura estão sob investigação.

O presidente chileno, Sebastián Piñera, demitiu dirigentes de órgãos reguladores e criou uma comissão para investigar o acidente e a agência. Desde o colapso, a agência fechou pelo menos 18 minas menores, por violações de segurança. Ontem, o primeiro dos vários processos aguardados contra a San Esteban foi apresentado. Um juiz ordenou que fossem retidos US$ 1,8 milhão da companhia, como garantia para o pagamento dos processos.

Apesar dos avanços na tecnologia e na maior ênfase em segurança, ao menos publicamente, a mineração permanece como um setor perigoso. Desde 2000, uma média de 34 pessoas morrem todos os anos em acidentes no Chile, com um pico de 43 em 2008, segundo dados da Sernageomin. A agência não quis dar entrevistas, citando as investigações internas ordenadas por Piñera.

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