No Chile, Piñera anuncia mudanças na educação

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, anunciou ontem um pacote de medidas para melhorar a educação superior no país, que inclui um fundo de US$ 4 bilhões. Entretanto, declarou que as passeatas e paralisações devem se interrompidas para que o diálogo seja retomado.

AE, Agência Estado

06 de julho de 2011 | 12h53

Ao lado de seu ministro da Educação, Joaquín Lavín, Piñera falou, durante uma mensagem em rede de rádio e televisão, sobre os temas que afetam a educação universitária, como o acesso e o financiamento para os estudantes. Mas a questão do lucro das universidade não foi abordada com profundidade. Piñera apenas convocou um "amplo debate" a respeito da existência de grupos privados de ensino superior com e sem fins lucrativos.

Camila Vallejos, presidente do grupo de alunos da Universidade do Chile, disse, pouco antes do início do discurso de Piñera, que se não fosse anunciado o fim do lucro como objetivo para a educação de ensino superior, os estudantes recusariam suas propostas. Os problemas do sistema de educação no Chile, que é considerado elitista e de má qualidade, se arrastam desde a ditadura militar (1937-1990) e apenas mudanças sem profundidade foram realizadas.

O governo da presidente Michelle Bachelet (2006-2010) enfrentou grandes protestos de estudantes do ensino médio que resultaram numa queda de dez pontos porcentuais em sua popularidade e a queda de seu ministro da Educação. Agora, Piñera enfrenta os universitários e os estudantes do secundário, mobilizados há mais de um mês.

Protestos

Os protestos dos estudantes têm se caracterizado por passeatas com muitos participantes, nunca vistas em 20 anos de democracia. Na última quinta-feira, mais de 100 mil pessoas marcharam pela principal avenida da capital. Os líderes universitários exigem mudanças profundas, como o fim do lucro dos proprietários das universidades privadas, exigência que conta com o apoio dos políticos da oposição de centro-esquerda, e de setores trabalhistas.

A ditadura do general Augusto Pinochet permitiu a criação de universidade privadas sem fins lucrativos, exigência que não é respeitada. As fundações e organizações sem fins lucrativos não podem distribuir seus lucros, que devem ser investidos nos estabelecimentos de ensino.

Ao anunciar a criação de um fundo para a educação de US$ 4 bilhões, Piñera disse que o dinheiro seria proveniente do Tesouro e dos excedentes da venda do cobre, ponto que responde a uma das exigências dos jovens, que querem parte dos milionários recursos da empresa estatal que explora o minério. O presidente disse que o pacote busca "melhorar a qualidade, acesso e financiamento da educação superior, para avançarmos para uma sociedade de oportunidades".

Haverá aumento das bolsas de estudo para o ensino técnico e 40% dos alunos mais pobres com bom desempenho terão garantia de bolsas de estudo. Além disso, haverá redução das taxas de juros do crédito estudantil. Lavín foi encarregado por Piñera de levar adiante o pacote de reformas que melhorem a educação superior. As informações são da Associated Press.

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