No Congresso, Obama adota estratégia de ampliar pressão popular sobre rivais

O presidente dos EUA, Barack Obama, usou o discurso sobre o Estado da União, feito na terça-feira à noite no Congresso, para confrontar os republicanos em busca de apoio às reformas que ele prometeu para seu segundo mandato - da economia à imigração, passando pelo controle de armas e o setor de energia. O objetivo de Obama seria ampliar a pressão da opinião pública sobre a oposição diante de causas com forte apelo popular.

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2013 | 02h07

Com um tom assertivo, Obama retomou os principais temas tratados em seu discurso de posse. "É o dever de nossa geração retomar o verdadeiro motor do crescimento econômico dos EUA - uma classe média ascendente", disse o presidente.

Para reforçar seu apelo em favor de leis federais para controle de armas, democratas levaram à plenária da Câmara dos Deputados famílias que foram vítimas da violência. Ao pedir apoio às medidas que limitariam a venda de armamento, Obama apontou para os convidados. "Eles merecem um voto. Gabby Giffords (deputada democrata baleada em comício, há dois anos) merece um voto. As vítimas (do massacre) de Newton merecem um voto."

Da agenda externa, Obama surpreendeu ao prometer trazer de volta mais da metade dos soldados no Afeganistão. Mesmo com a retirada neste ano de 34 mil militares do Afeganistão, o número de militares no início de 2014 será ainda o dobro do deixado por George W. Bush. A remoção dessa tropa não ocorrerá antes de outubro, avaliam especialistas. O ritmo da retirada, calculado conforme os riscos de avanço do Taleban e da Al-Qaeda, será decidido pelos comandantes militares.

O anúncio da retirada foi um dos momentos mais aplaudidos do discurso de Obama no Congresso, na noite de terça-feira. O plano de encerrar a guerra no Afeganistão até dezembro de 2014 já era conhecido, assim como era esperada a remoção de tropas ao longo de 2013. Mas o número mencionado pelo presidente americano fez a diferença. Trata-se de pouco mais da metade do contingente atualmente em ação nessa frente, de 66 mil militares.

"Ainda assim, haverá mais soldados no Afeganistão no início de 2014 do que em janeiro de 2009, quando Obama tomou posse", afirmou ao Estado Lawrence Korb, especialista em Defesa do Center for American Progress. A retirada não deve começar antes da conclusão das negociações de paz entre o governo de Hamid Karzai e os líderes do Taleban, no Catar.

Karzai havia falado a Obama, em janeiro, sobre a prioridade conferida por seu governo a esse diálogo. Tampouco serão retirados soldados americanos antes de outubro, como acentuou Michael O'Hanlon, especialista em Defesa da Brookings Institution. No período de calor no Afeganistão, os combates tendem a se intensificar.

"Essa não é uma retirada rápida", afirmou O'Hanlon. "O presidente Obama não vai cortar tropas até o outono (no Hemisfério Norte). Ele pode retratar sua decisão como o retorno dos soldados para casa. Mas as forças americanas continuarão fortes e numerosas até o outono."

A retirada não envolverá apenas soldados, mas também equipamentos, estruturas físicas e armamento. Exigirá uma cuidadosa e intensa operação logística e dependerá de acordos a serem celebrados com Rússia e Paquistão, dois países com os quais os EUA não mantêm fácil relação. Como Obama mencionou no Estado da União, a transferência da responsabilidade pela segurança do Afeganistão a seu governo começará em abril. / COM NYT

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