Chip Somodevilla/Getty Images/AFP
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No Congresso, procurador especial diz que Trump pode ser denunciado ao deixar Casa Branca

Robert Mueller afirma que suas investigações não isentam o presidente republicano das suspeitas de obstrução de Justiça

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2019 | 15h15
Atualizado 24 de julho de 2019 | 16h33

WASHINGTON - O procurador especial que estudou o envolvimento russo nas eleições americanas de 2016, Robert Mueller, disse nesta quarta-feira, 24, em uma audiência no Congresso dos Estados Unidos, que suas investigações não isentam o presidente Donald Trump, que pode ser denunciado após deixar a Casa Branca.  

O chamado Relatório Mueller inocentou o presidente de conspiração com Moscou em 2016, mas não descartou a hipótese de obstrução de Justiça. Como presidentes não podem ser denunciados por crimes federais enquanto estão no poder, o procurador não tinha a opção de incriminá-lo.  Ao comentar a sabatina, Trump disse que ela se tratava de um "constrangimento ao país".       

Após a conclusão da investigação, Trump passou a usar o argumento de que havia sido inocentado, mas isso foi desmentido por Mueller. Em seu depoimento hoje, o procurador reiterou que o inquérito não encontrou evidências suficientes para acusar o presidente e sua campanha de conspiração com a Rússia, mas não livrou Trump totalmente da suspeita de obstrução de Justiça.   

"Com base nas diretrizes do Departamento de Justiça (que impedem denúncias contra presidentes no exercício do cargo), decidimos não tomar uma decisão sobre se o presidente cometeu crime (de obstrução)", declarou Mueller.       

Segundo o procurador, o magnata se negou a ser interrogado pelos investigadores. Mueller, no entanto, garantiu que nunca houve obstáculos para seu trabalho.       

O procurador também reiterou que o governo russo interferiu nas eleições presidenciais de 2016 de modo "vasto e sistemático". Moscou, segundo ele, acreditava que poderia obter benefícios com uma vitória de Trump.       

No depoimento, Mueller chamou os esforços do Kremlin para influenciar nas eleições de "um dos mais sérios" desafios para a democracia americana. 

O ex-diretor do FBI passou 22 meses investigando a interferência russa na eleição de 2016 e a conduta de Trump. O presidente democrata da Comissão, Jerrold Nadler, elogiou Mueller e disse que ninguém, incluindo Trump, está “acima da lei”.

Mueller, de 74 anos, estava cercado de fotojornalistas ao ocupar seu lugar na sala de audiências lotada. Ele também falou à Comissão de Inteligência da Câmara. 

Os democratas controlam a Câmara, e os colegas republicanos de Trump têm a maioria no Senado.

Os democratas foram às audiências na esperança de que o depoimento de Mueller angarie apoio público às suas próprias investigações em andamento sobre o presidente e seu governo, mas não conseguem decidir se iniciam ou não o processo de impeachment delineado na Constituição para retirar um presidente do cargo por “altos crimes e contravenções”.

O inquérito Mueller detalhou numerosos contatos entre a campanha presidencial de 2016 de Trump e a Rússia, em um momento no qual o Kremlin estava interferindo na eleição dos EUA com um esquema de ataques cibernéticos e propaganda para semear a discórdia entre os americanos e fortalecer a candidatura de Trump.

Segundo o relatório investigativo de Mueller, o inquérito não encontrou indícios suficientes para determinar que Trump e sua campanha se envolveram em uma conspiração criminosa com a Rússia. Subsequentemente, o secretário de Justiça, William Barr, indicado por Trump, absolveu o presidente de obstrução da Justiça.

O Departamento de Justiça tem uma política de longa data contra a apresentação de acusações criminais a um presidente no exercício do cargo.

Trump atacou o inquérito diversas vezes, classificando-o de “caça às bruxas” e tentativa de “golpe”, acusou Mueller de ter conflitos de interesse e qualificou sua equipe de procuradores de “bandidos” com uma pauta política democrata.

Kremlin 

Antes do depoimento de Mueller, a Rússia voltou a negar qualquer interferência eleitoral nos Estados Unidos.

"Não há base que confirme que a Rússia tentou interferir" no processo eleitoral dos Estados Unidos, disse o vice-ministro das Relações Exteriores, Serguei Riabkov, a agências de imprensa russas. Ele disse que acompanharia o depoimento de Muller ao Congresso. 

O atual diretor do FBI, Christopher Wray, alertou na terça-feira que a Rússia também pretende interferir nas eleições americanas no próximo ano, algo que Riabkov negou. "Não há base para confirmar que a Rússia tentou interferir ou pretende interferir, não, isso é impossível", afirmou. / AFP, ANSA e REUTERS 

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