No dia da abertura do Fórum Social, passeata contra Bush

Como se pudessem ser ouvidos do outro lado do Atlântico, em Davos, Suíça, onde estão reunidos os homens que definem os rumos da economia do planeta, milhares de representantes de movimentos sociais e de organizações não-governamentais saem hoje pelas ruas de Caracas, na Venezuela, para gritar contra a atual ordem econômica, contra a guerra e, principalmente, contra George W. Bush. Será a abertura do Fórum Social Mundial, que prossegue até domingo e, pelas previsões dos organizadores, deve mobilizar 150 mil pessoas. Entre as pessoas convidadas para discursar na abertura está uma iraquiana que se opõe à presença de tropas americanas em seu país. O fórum começa embalado pela ascensão de políticos de esquerda em diferentes partes da América Latina. Ao mesmo tempo, há dúvidas sobre seu futuro, com o aumento da tensão entre suas duas principais correntes de pensamento. De um lado estão os que defendem um maior engajamento político, com ações internacionais coordenadas de forma mais eficiente. Em artigo publicado no jornal francês Le Monde Diplomatique, porta-voz da esquerda internacional, o jornalista Ignacio Ramonet diz que sem mudanças o evento corre o risco de ?despolitizar-se, folclorizar-se? e virar ?uma espécie de feira internacional de associações?. Do outro lado estão os que defendem a atual estrutura, sem hierarquias, orientada pelo consenso. ?A tarefa do fórum é abrir espaço para as organizações, deixando que definam as agendas?, disse ontem o empresário brasileiro Oded Grajew, que teve a idéia de organizar o encontro e hoje faz parte do comitê organizador internacional. ?O fórum não deve empurrar ninguém. Se uma pessoa ou organização acha que devem existir prioridades, que trate de convencer os outros.? Estão programadas 1.800 atividades, entre reuniões, conferências e debates, além de 200 eventos culturais. As organizações brasileiras promoverão o maior número, um total de 500. Paralelamente às ONGs, o governo brasileiro aposta pesado no encontro. Autoridades de diferentes escalões participarão de 30 mesas de debates, além dos ministros Roberto Rossetto (Desenvolvimento Agrário), Nilcéia Freire (Políticas para as Mulheres), Paulo Vanuchi (Direitos Humanos) e Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência). O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, também está em Caracas. O PT também desembarca uma tropa de choque no evento. Ela inclui o presidente da legenda, Ricardo Berzoini, o secretário-geral, Raul Pont, e o secretário de Relações Internacionais, Valter Pomar. O ex-presidente da legenda e ex-ministro José Dirceu é outra personalidade petista convidada.

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