No dia de oração, muçulmano protesta nas ruas

Milhares de pessoas protestaram nesta sexta-feira em dezenas de países islâmicos - ou com significativa população dessa religião - contra os ataques anglo-americanos ao Afeganistão. Em várias localidades, manifestantes entraram em choque com a polícia. Na sexta-feira, dia de descanso para os muçulmanos, um número bem maior de fiéis vai às mesquitas e há grandes aglomerações nas ruas. Os maiores protestos ocorreram no Paquistão, Irã, Egito, Somália, Turquia, Indonésia, Filipinas e Malásia. O tom irado dominou as manifestações. "Os Estados Unidos olham com maus olhos nossas madrassas (escolas corânicas). Temos que lhes arrancar os olhos! E com os dedos", bradou um menino de menino de nove anos numa manifestação de cerca de 15.000 pessoas em Quetta, Paquistão. No Irã, uma multidãro atacou com pedras e bastões o consulado paquistanês em Zahedan, no sudoeste do Irã e perto da fronteira com o Paquistão, em protesto contra o apoio desse país aos EUA. Na capital, Teerã, dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se nas ruas. Na Indonésia, pelo quinto dia consecutivo, milhares de pessoas saíram às ruas de Jacarta e outras cidades. Um restaurante da rede norte-americana KFC foi atacado de madrugada com dinamite em Makassar, sem causar vítimas. Cerca de 7.000 policiais das forças especiais antimotim foram destacados para a capital e utilizaram jatos de água e gás lacrimogêneo para dispersar cerca de mil pessoas concentradas diante da Embaixada dos EUA (fechada desde segunda-feira). Pelo menos cinco pessoas ficaram feridas em Surabaya, em Java Oriental. Os manifestantes incendiaram bandeiras dos EUA e da Grã-Bretanha, bem como fotos do presidnete americano, George W. Bush. "Estamos dispostos a morrer para defender Bin Laden", gritaram várias pessoas. Houve cinco feridos. Enquanto isso, milhares de palestinos protestaram em Gaza, Nablus e Ramallah, repetindo "Bush é o pai do terrorismo". A polícia palestina prendeu o editor de um jornal que criticou a repressão às manifestações contra os EUA e tirou do ar um programa de TV pelo mesmo motivo. A autoridade Palestina também continua cerceando a cobertura da mídia estrangeira dos protestos pró-Bin Laden. Três repórteres foram detidos em Gaza. No Cairo, 10.000 pessoas reuniram-se diante da Mesquita de Al-Azar, ponto de referência religioso para os muçulmanos da tendência sunita, gritaram slogans de apoio ao povo afegão e aos palestinos. A manifestação se realizou sob controle rígido da polícia. Em Bangladesh, pelo menos sete pessoas que participavam de uma manifestação antiamericana foram esmagadas por um ônibus que perdeu os freios e atingiu a multidão em Cox Bazar, no sul de Bangladesh. Outras 50 ficaram feridas no acidente. Milhares de pessoas tomaram as ruas de diversas cidades. "Parem de atacar o povo inocente do Afeganistão", era a mensagem mais comum nos cartazes, ao lado de placas com a foto de Bin Laden. Na Turquia, a polícia de Istambul prendeu 58 pessoas "por razões de segurança", segundo a agência de notícias turca Anatólia. Os protestos antiamericanos ocorreram também na vizinha cidade de Beyazit e diversas cidades do país. Os manifestantes acusavam os EUA de terroristas. Na Somália, o imã da mesquita Sharif Muhsin definiu os EUA como "agressor" e fez um chamamento aos muçulmanos para defenderem o Afeganistão. Nas Filipinas, centenas de muçulmanos (minoria neste país, majoritariamente católico) protestaram gritando "morte aos norte-americanos", em Manila. A comunidade ficou revoltada com o anúncio de que os Estados Unidos enviaram 15 oficiais para ajudar o governo na luta contra o grupo guerrilheiro Abu Sayyaf, que luta para criar um Estado islâmico no sul do país. A Casa Branca acusa o Abu Sayyaf de ter vínculos com Bin Laden. Na Malásia, a polícia recorreu a gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar mais de 3.000 manifestantes que protestavam diante da embaixada dos EUA, em Kuala Lumpur. A manifestação foi organizada pelo maior partido de oposição, Islam se-Malásia. Sri Lanka - "Bin Laden, estamos com você", gritaram manifestantes em Colombo, capital do Sri Lanka. Os protestos reuniram centenas de pessoas. Leia o especial

Agencia Estado,

12 Outubro 2001 | 20h48

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