AP Photo/ A.M. Ahad
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No dia internacional da liberdade de imprensa, ONG critica situação em diversos países

Segundo a Repórteres sem Fronteiras, controle sobre jornalistas aumentou em alguns lugares e profissionais são sequestrados por grupos terroristas para serem usados como 'moeda de troca'

O Estado de S. Paulo

03 Maio 2016 | 10h19

Exercer a liberdade de imprensa está cada vez mais complicado em um mundo onde os jornalistas são ameaçados por governos e poderes fáticos e usados como moeda de troca em conflitos por grupos terroristas. No Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, a Repórteres sem Fronteiras (RSF), uma das principais ONGs de defesa da profissão, constatou em seu relatório anual a "deterioração profunda e preocupante da capacidade dos jornalistas para exercer seu ofício e sua função no total liberdade ou independência".

A ONG criticou países "cujos dirigentes podem se vangloriar de ter amordaçado a informação" no último ano. Alguns são reincidentes, segundo a RSF: Arábia Saudita, Irã, Coreia do Norte, Burundi, Eritreia, Azerbaijão, Cuba, Venezuela, Rússia e China, mas outros entraram nea lista este ano: Egito, Tailândia e Turquia, onde os controles sobre jornalistas foram reforçados drasticamente.

Segundo o relatório, os líderes desses países acreditam que o controle dos veículos de imprensa é necessário para manter a segurança e a estabilidade e sob este argumento o Egito, por exemplo, mantém mais de 20 jornalistas presos. Na China estão detidos dezenas de profissionais críticos ao sistema. "Incitar a subversão contra o poder do Estado", "divulgar informações falsas" e "incitar a violência" se transformaram na fórmula para fazer calar os que contradizem as opiniões de governos ou grupos armados, diz o documento.

Em países ocidentais, a luta contra o terrorismo serve de álibi para limitar a liberdade de informação por meio de de leis repressivas, criticam as ONGs. Embora não seja o único caso, a Anistia Internacional citou o exemplo recente da França, alvo de vários atentados jihadistas com dezenas de vítimas neste ano, que endureceu leis que afetam a liberdade de imprensa.

Tanto AI como RSF lembraram que em 2015 morreram 63 jornalistas no exercício da profissão e outros 40 foram assassinados, sem que se saiba ainda a motivação. Além disso, 19 pessoas que exercem o jornalismo e seis colaboradores de meios de comunicação morreram no ano passado.

Muitos deles morreram em coberturas de alto risco, mas analistas de todo o mundo concordam em apontar que o repórter se transformou em moeda de troca para alguns grupos terroristas que os usam para chantagear governos e obter vantagens. A RSF afirmou em seu último relatório que 54 jornalistas estão sequestrados no mundo por organizações terroristas ou criminais.

Essa é uma prática frequente para organizações como Estado Islâmico, Al-Qaeda, Al Shabab e outras jihadistas que transformaram em negócio os sequestros. Os exemplos mais evidentes estão na Síria e na Líbia, onde se tornou praticamente impossível ou, pelo menos muito arriscado, os conflitos com condições mínimas de segurança.

Complicada é também a situação do México, um país onde a liberdade de informação se deteriorou rapidamente nos últimos anos e onde a imprensa sofre a dupla ameaça de grupos criminosos e narcotraficantes e do governo, que usam leis restritivas para censurar repórteres, segundo o último relatório da "Forbes".

Nesta terça-feira, 3, mais um jornalista foi ferido enquanto trabalhava. O hondurenho Félix Molina foi baleado em um atentado em Tegucigalpa. "Infelizmente continuamos a habitar um país de alto risco onde os jornalistas que exercem a profissão de maneira independente e tocam os temas sensíveis estão expostos a estes fatos", disse Molina após o ataque.

ONGs e alguns governos pediram oficialmente a criação de um Representante Especial do secretário-geral das Nações Unidas para a Segurança dos Jornalistas. /EFE

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