REUTERS/Agustin Marcarian
REUTERS/Agustin Marcarian

No Dia Internacional da Mulher, sete protestos femininos que mudaram a história

Em todos os continentes, mulheres se mobilizaram por direitos ao longo da história

Gillian Brockell / WASHINGTON POST, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2019 | 20h06

O Dia Internacional da Mulher existe há mais de um século, mas ganhou força nos últimos anos em virtude de seu poder de compartilhamento nas redes sociais. O que começou como demonstrações de esquerda hoje é feriado em mais de 20 países, celebrado pela ONU e, claro, uma oportunidade de marketing para a venda de cosméticos e bonecas, afinal, vivemos no capitalismo. 

Para honrar as raízes igualitárias do Dia da Mulher, aqui estão exemplos de mulheres comuns que ao longo da história se uniram para protestar, se rebelar, e, em alguns casos, até enfrentar a polícia. 

A Festa do Chá de Edenton, na Carolina do Norte

Quem conhece a história dos Estados Unidos provavelmente já ouviu falar da Festa do Chá de Boston, quando colonos americanos jogaram caixas de chá no Porto de Boston para protestar contra um imposto cobrado pela Coroa Britânica. Poucos conhecem, no entanto, um protesto similar que ocorreu meses depois na Carolina do Norte, uma das 13 colônias que formaram os Estados Unidos. 

Em 25 de outubro de 1774, Penelope Barker reuniu 50 mulheres para protestar contra o imposto do chá em Edenton, na Carolina do Norte. O protesto dessas mulheres provavelmente não foi além de uma carta e promessas de boicotar o chá, mas o ato reverberou na Inglaterra. Na metrópole, o ato das americanas foi desdenhado, com algumas ilustrações cruéis das colonas. 

A marcha das mulheres sobre Versailles

No começo da Revolução Francesa, após a Queda da Bastilha, mas antes ainda de cabeças aristocratas começarem a rolar, as mulheres francesas tiveram seu momento de protagonismo. Irritadas com o alto do preço do pão, eles se rebelaram, invadiram um arsenal de armas e ao lado de soldados revolucionários marcharam rumo ao Palácio de Versalhes, sede da monarquia nos arredores de Paris.  Na madrugada de 6 de outubro de 1789 elas invadiram os aposentos do rei Luís XVI e o levaram, sem seu consentimento, para a capital. Foi o começo do fim para o monarca, que acabaria morto na guilhotina. 

Petição das mulheres na Nova Zelândia

Em 1891, o Parlamento da Nova Zelândia começou a debater o sufrágio universal, com mulheres espalhando petições por todo o país em apoio à lei. Nove mil mulheres assinaram o texto. O projeto de lei que dava direito de voto a todos os sexos foi aprovado na Câmara, mas barrado no Senado. No ano seguinte, as sufragistas refizeram a campanha, desta vez com 20 mil assinaturas de mulheres. Em 1893, foram 32 mil assinaturas, o equivalente a um quarto de todas as mulheres de origem euriopeia do país. As sufragistas pressionaram os parlamentares com manifestações e telegramas. Funcionou. O Senado aprovou a lei por 20 a 18 e a Nova Zelândia se tornou o primeiro país a permitir direito de voto às mulheres, tanto de origem europeia quanto maoris. 

A marcha por paz e pão na Rússia

Apesar de mulheres socialistas já estivessem protestando há anos na Europa e nos Estados Unidos, as russas levaram as manifestações a outro nível em 1917. Em 8 de março daquele ano (fevereiro no calendário russo), trabalhadoras de fábricas têxteis entraram em greve, exigindo o fim do racionamento de comida, do envolvimento russo na Primeira Guerra Mundial e do regime czarista. Elas pediram aos homens da fábrica que se juntassem a elas. A paralisação, segundo o revolucionário Leon Trotsky, reuniu 90 mi pessoas. O czar Nicolau II abdicou uma semana depois. Desde 1975, a ONU considera o 8 de março o Dia Internacional da Mulher. 

A revolta das mulheres de Abeokuta, na Nigéria

Hoje, Abeokuta é uma cidade da Nigéria, mas nos anos 40 era uma cidade-estado controlada pelos britânicos, por meio de um monarca local. Então, uma mulher chamada Funmilayo Ransome-Kut começou um clube para mulheres educadas como ela. Então, o governo começou a cobrar impostos altos do estabelecimento. Milhares de mulheres então marcharam em apoio a Funmilayo e  entraram em confronto com a polícia. Os guardas apanharam e perderam as roupas perante a multidão enfurecida de mulheres. Os impostos foram devolvidos e o rei abdicou. 

A marcha das mulheres na África do Sul

Muitas coisas terríveis aconteceram durante o apartheid na África do Sul. Uma das piores foi a “Lei do Passe”, que impedia homens negros de se movimentarem livremente pelo país. Em 1952, o governo da minoria branca tentou ampliar a proibição para as mulheres, o que causou protestos. Quatro anos depois, 20 mil mulheres, de várias raças, marcharam em Pretória para entregar petições contra a lei e permaneceram em silêncio diante do Palácio do Governo. Então começaram a cantar. A expressão “Quando você ataca uma mulher, ataca uma rocha”, tem origem neste momento. Na África do Sul, o Dia da Mulher é comemorado em 9 de agosto, data do protesto. 

Greve de mulheres na Islândia

Em 24 de outubro de 1975, 90% das mulheres da Islândia não foram trabalhar para protestar contra o machismo e a desigualdade salarial.  Donas de casa tambem aderiam ao protesto, o que obrigou os homens a faltar ao trabalho para cuidar da casa e dos filhos. Desde então, a Islândia se tornou um exemplo em igualdade de gênero. Até hoje, no aniversário do protesto, as islandesas saem do trabalho em um horário proporcional à diferença salarial para os homens. Em 2018, quando elas ganhavam, em média 76% do salário masculino, elas saíram do trabalho às 14h55. / Tradução de Luiz Raatz

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