Sergey Guneev/Host Photo via EFE/EPA
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No dia que ultrapassou os 600 mil casos de covid-19, Rússia faz parada militar

Putin apertou a mão de idosos veteranos da guerra, pessoas entre 80 e 90 anos – um dos grupos mais vulneráveis ao coronavírus. Ninguém usava máscara

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2020 | 19h07

MOSCOU - Os russos comemoraram com um desfile militar nesta quarta-feira, 24, o 75.º aniversário da vitória da União Soviética sobre os nazistas na 2.ª Guerra, com o presidente Vladimir Putin tentando superar os reveses da pandemia da covid-19 e despertar o orgulho nacional perto de um referendo sobre mudanças na constituição russa que pode deixá-lo no poder até 2036.

Para os russos, o chamado Dia da Vitória é o feriado que traz mais orgulho, pois evoca memórias do heroísmo da guerra. Ao chegar ao desfile militar, Putin apertou a mão de idosos veteranos da guerra, pessoas entre 80 e 90 anos – um dos grupos mais vulneráveis ao coronavírus. Ninguém usava máscara.

Em seu discurso, o líder russo disse que a Europa deve sua liberdade aos soldados soviéticos que deram a vida na guerra. “Eles (soldados) defenderam suas terras, libertaram os Estados da Europa dos invasores, salvaram o povo da Alemanha do nazismo e de sua ideologia. É impossível imaginar o que teria acontecido ao mundo se o Exército Vermelho não tivesse impedido o fascismo”, disse Putin,  na abertura do desfile. 

A parada militar do Dia da Vitória é uma vitrine das forças militares russas, com tanques sendo exibidos pela Praça Vermelha. Mais de 13 mil soldados, 234 veículos blindados e 75 aeronaves participaram do evento. 

O desfile teve de ser adiado de 9 de maio por causa do coronavírus, mas médicos alertaram que o momento não era propício para aglomerações. A Rússia ultrapassou hoje a marca de mais de 600 mil casos do novo coronavírus – o país é o terceiro no mundo com mais notificações, só atrás dos Estados Unidos e do Brasil. Segundo estatísticas oficiais, questionadas por infectologistas, 8.513 pessoas morreram da doença.

Victoria Adonyeva, especialista em doenças infecciosas, disse que a pressa da Rússia em voltar à normalidade para o desfile e a votação das mudanças na constituição provavelmente levará o país para uma nova onda de contaminações nas próximas semanas. / W. POST

 

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