No Egito, Bibi pede ação de ''moderados'' contra o Irã

Em sua primeira visita a um país árabe desde que assumiu o governo israelense, o primeiro-ministro Binyamin "Bibi" Netanyahu defendeu ontem no Egito uma coalizão de "moderados" capaz de conter a influência iraniana no Oriente Médio. Segundo o direitista israelense, cuja eleição foi vista com preocupação no mundo islâmico, "a luta na região não é entre povos e religiões, mas entre aqueles que buscam a vida e os que buscam a morte e a violência".O presidente egípcio, Hosni Mubarak, preferiu não mencionar o Irã e exortou Israel a aceitar a criação de um Estado palestino. "É importante que as negociações sejam reiniciadas tendo por base um horizonte político claro. É preciso uma solução definitiva, que estabeleça um Estado palestino independente vivendo lado a lado com Israel em paz e segurança", declarou Mubarak no balneário de Sharm el-Sheikh.Eleito em março, Bibi até agora evitou utilizar o termo "Estado" ao se referir à questão palestina e ontem limitou-se a afirmar que pretende retomar os contatos com a Autoridade Palestina (AP) "o quanto antes, já nas próximas semanas". "Queremos expandir a paz e levá-la, primordialmente, aos nossos vizinhos, os palestinos", disse Bibi durante o encontro.Defensor de uma "paz econômica" com a AP, calcada exclusivamente no desenvolvimento da economia, Netanyahu tenta desde que assumiu o gabinete levar as atenções da questão palestina para a ameaça iraniana. EUA e Israel afirmam que o Irã desenvolve um programa nuclear com fins militares, acusação negada por Teerã, e apoia grupos radicais, como o libanês Hezbollah e o palestino Hamas."Hoje, para nosso arrependimento, somos testemunhas de forças extremistas que ameaçam a estabilidade do Oriente Médio", declarou Bibi.Referindo-se diretamente a Mubarak, Bibi foi enfático: "Nós esperamos, senhor presidente, sua ajuda na luta contra fundamentalistas e terroristas que ameaçam a paz." O líder egípcio, entretanto, não fez referência ao país persa em seu discurso. Embora mantenham descrição, países sunitas como o Egito, a Arábia Saudita e a Jordânia temem a crescente influência de Teerã na região.''ESFORÇOS URGENTES''Também ontem, o Conselho de Segurança da ONU pediu "esforços urgentes" para a criação de um Estado palestino independente de Israel e uma resolução para os demais conflitos no Oriente Médio. Praticamente todos os representantes da reunião alertaram para novos episódios de violência na região, caso os esforços de paz entre palestinos e israelenses, e entre Israel e a Síria fracassem.Bibi deve ir a Washington na próxima semana para seu primeiro encontro com o presidente Barack Obama. Na semana passada, o presidente israelense, Shimon Peres, encontrou-se com Obama.AP

, O Estadao de S.Paulo

12 de maio de 2009 | 00h00

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