No Egito, indústria do turismo torce por ditador

A população de Gizé, 20 quilômetros a sudoeste do Cairo, ao pé das Pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos, declara amor sincero pelo ditador Hosni Mubarak e teme pelo seu destino sem o presidente, que para eles representa um pai. O pano de fundo desses sentimentos é a paralisia absoluta do turismo, do qual extraem renda muito acima do padrão egípcio, atividade que representa 11% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

AE, Agência Estado

09 de fevereiro de 2011 | 09h40

"Amo Mubarak como se fosse meu pai", diz Noha al-Sevese, de 30 anos, dona de uma loja de perfumes, remédios feitos de plantas medicinais e reproduções de papiros (os egípcios chamam essas lojas de "museus", embora tudo o que estava nas pirâmides tenha sido levado ao Museu do Cairo). "Antes me sentia segura, agora não mais. Não sei o que vai acontecer. Não durmo à noite."

Ela conta que, antes dos protestos, costumava receber 12 ônibus de turistas por dia e vendia entre 6 mil libras egípcias (US$ 1 mil) e 10 mil (US$ 1.666). O Egito recebia 100 mil turistas por dia e quase todos vinham a Gizé, cujas pirâmides são consideradas a primeira das sete maravilhas do mundo antigo.

Gizé tem 3.500 dos 70 mil guias turísticos do país. Mohamed Gaber Mosalam, de 20 anos, é um deles. Ele diz que, antes dos protestos, fazia dois tours por dia a cavalo para a área das pirâmides. Recebia, de gorjeta, entre 400 libras egípcias (US$ 66) e 600 (US$ 100) por dia. O dono dos cavalos cobra outros US$ 150 por hora. Todos nós aqui gostamos muito de Mubarak", atesta Mosalam. O guia diz ainda que gosta dos militares, porque são "organizados e disciplinados", mas não de políticos civis. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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